O responsável do JP Morgan em Portugal disse que o banco aceitou o cancelamento de swap que tinha com empresas públicas, pelo qual recebeu 303,5 milhões de euros, para manter boas relações comerciais com as autoridades públicas portuguesas.

«O JP Morgan acedeu ao cancelamento no intuito de prosseguir o seu relacionamento comercial normal com as entidades públicas portuguesas e o Governo português», disse hoje Enrique Casanueva aos deputados da comissão parlamentar de inquérito aos swap contratados por empresas públicas.

O responsável em Portugal pelo banco norte-americano disse ainda, na sua intervenção inicial, que as transações que o JP Morgan tinha com as empresas públicas portuguesas eram «adequadas» e que as empresas eram consideradas clientes «sofisticados», com competência para entender as transações que contratavam. Além disso, afirmou, havia uma «monitorização regular» da evolução das operações em conjunto com as empresas.

Os 13 swap que o JP Morgan tinha com as empresas públicas Metro de Lisboa, EGREP, Metro do Porto e a Refer eram dos que implicavam mais perdas potenciais.

Depois de, inicialmente, o banco ter sido um dos mais relutantes em negociar o fecho de contratos, o que levou o Governo a ameaçar recorrer aos tribunais em abril, este chegou a um acordo com o Estado em junho.

Segundo os documentos enviados à comissão de inquérito, a que a Lusa teve acesso, para cancelar as operações entre o banco norte-americano e a Metro de Lisboa (9), a EGREP (1), a Metro do Porto (1) e a Refer (2), as empresas pagaram 303,5 milhões de euros, quando as perdas potenciais atingiam os 487,1 milhões de euros, num desconto de 37,7%.

O desfecho positivo das negociações em junho, na mesma semana em que se soube que o JP Morgan tinha sido escolhido para assessorar a privatização dos CTT - Correio de Portugal (juntamente com a Caixa - Banco de Investimento), lançou a suspeita de que os dois assuntos estariam relacionados.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, negou então qualquer relação, afirmando que a assessoria da operação de privatização dos CTT foi atribuída à JP Morgan porque este fez a «proposta mais vantajosa» financeiramente.

O JP Morgan garantiu hoje que não há relação entre ter aceitado fechar os swap com as empresas públicas e ter vencido a assessoria da privatização dos CTT, já que são dois processos «autónomos e independentes».

«Esse processo foi totalmente separado e independente do processo dos swaps», disse Enrique Casanueva, respondendo à questão da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua sobre as suspeitas que relacionam os dois casos.