Ainda este mês o barómetro semestral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição mostrou como as vendas de produtos em promoção nos supermercados dispararam em Portugal. Agora, um estudo internacional da Nielsen vem dar rosto estes resultados, ao indicar que os portugueses estão entre os povos mais influenciados pelos descontos na hora de escolher o que comprar. 

O número é expressivo: ¾ dos portugueses confessa que consulta e compara promoções antes de entrar num supermercado".

A procura pelos melhores preços é uma tendência que está, de resto, a crescer e que se reflete também a nível global, uma vez que "47% da população mundial admite que promoções e saldos são fatores decisivos na hora de abrir os cordões à bolsa".

Portugal está acima da média europeia em 16 pontos percentuais: 77% dos inquiridos confessou perder algum tempo para encontrar aquilo a que habitualmente chamamos de pechinchas.

Outro dado curioso a reter é que "os portugueses são também claramente atraídos pelos produtos com ingredientes saudáveis (62%)".

Com a crise, as promoções começaram a virar um hábito mas, ao mesmo tempo, há uma alteração de comportamentos face ao que comprar. “A forte atividade promocional criou uma expetativa junto dos consumidores, que levou a que os preços baixos fossem vistos como uma regra. No entanto, alguns consumidores estão a alterar a sua forma de consumo e o valor começa a ganhar força comparativamente aos preços baixos. Os consumidores estão dispostos a pagar mais, caso vejam benefícios”, realça no estudo Steve Matthesen, responsável da Nielsen para o retalho.

As promoções mais atraentes

Também o serviço KuantoKusta Supermercados evidenciou que cerca de 30% do tráfego registado no site resulta de pesquisas pelas promoções do dia. Cada utilizador passa, em média, 1 minuto a consultar e a comparar preços. E, aqui, destaque para as mulheres (51% do total), que gostam perder (ou melhor, ganhar) mais tempo para analisar o que vão comprar. 

Aquilo que mais atrai os utilizadores online na procura de promoções são os laticínios, bebidas, mercearia salgada e doce e, também, a categoria bebés. Continente, Pingo Doce e Jumbo surgem como os supermercados mais procurados.

O estudo da Nielsen aponta adicionalmente como fatores com maior importância na decisão de compra dos consumidores a oferta de produtos frescos de qualidade, a relação preço-qualidade, e a disponibilidade dos produtos que os portugueses procuram.

Nos produtos alimentares, para além disso, o sabor é muito importante para os portugueses, em especial nos produtos frescos e no pão.

Também a marca ganha alguma importância nos produtos relacionados com a saúde e bem-estar, como é o caso dos produtos de cosmética e de higiene pessoal e dos medicamentos de venda livre.

Os hábitos associados à ida ao supermercado

Há uma grande diferença no que leva os portugueses e a média dos restantes europeus em deslocar-se ao supermercado. Por cá, o objetivo para cerca de metade dos consumidores é apenas comprar o essencial (contra 19% dos europeus). 

E, dado como o café (bica ou cimbalino, dependendo das regiões) é um hábito bem português, entre os serviços extra que muitas vezes os supermercados disponibilizam, as cafetarias são as preferidas (57%). 

De destacar ainda que 40% dos inquiridos revelam que, caso existissem, utilizariam os serviços postais disponibilizados pelas lojas. As aulas de culinária são bem vistas por apenas 26% (54% mostra-se pouco recetivo a essa possibilidade).

Pouca aceitação têm também os serviços de beleza oferecidos pelas lojas (apenas 33% dos inquiridos os utilizam ou utilizariam caso estivessem disponíveis).

Porquê comprar mais uns produtos do que outros

Nem todos os produtos são olhados como potenciais compras de encher a despensa em casa. É que os portugueses estão atentos aos custos das matérias-primas, preferindo jogar com isso na hora de comprar. 

Preferem comprar em menor quantidade por causa do potencial preço mais elevado alimentos embalados (61%), peixe (58%) e produtos de higiene pessoal (57%), sobretudo.

Já o pão está no topo dos produtos que os consumidores (42%) admitem continuar a comprar em igual quantidade apesar dos preços mais elevados, seguindo-se os laticínios (38%), as frutas e vegetais, frescos e congelados (36%) e a carne (34%).

Se o valor cobrado aumentasse, os consumidores mais facilmente abdicariam das refeições prontas (58%) e das bebidas gaseificadas (56%).