O ex-presidente executivo da seguradora Zurich, Martin Senn suicidou-se na passada sexta-feira, anunciou a empresa.

"A família de Martin Senn informou-nos que o Martin se suicidou na passada sexta-feira," refere um comunicado da empresa, que é citado pela Reuters.

Tinha 59 anos e, segundo as informações do jornal suíço Blick, que cita fonte próxima do ex-CEO, Senn atirou sobre si mesmo numa estância de família em Klosters, uma comuna da Suíça.

Estava na empresa desde 2010, depois de ter passado por bancos suíços na Ásia. Era casado com uma música coreana. Deixou dois filhos.

Martin Senn (Reuters)

 

Nos últimos tempos em que esteve em funções, o ex-CEO da Zurich deparou-se com vários alertas relativos aos lucros da empresa e, para além disso, viu fracassar a compra da rival britânica RSA.

Senn recebeu 2,5 milhões de francos suíços em 2015, segundo o relatório anual da companhia. Por não ter sido capaz de cumprir as metas de desempenho a que se propôs, num contexto complicado para o setor desde a crise financeira, não teve direito a Bónus.

Não é o primeiro suicídio na seguradora

A decisão de pôr termo à vida surgiu seis meses depois de deixar a empresa e menos de três anos depois de o responsável pelas Finanças da seguradora, Pierre Wauthier, ter feito o mesmo (em agosto de 2013).

Wauthier tinha 53 anos e deixou mesmo um bilhete a dar conta do suicídio endereçado “A quem possa interessar”, condenando o tom agressivo da então gestão da empresa, que era na altura liderada por Josef Ackermann. Este executivo, que vinha do Deutsche Bank, negou qualquer irregularidade, mas acabou por abandonar o cargo logo após a morte do seu funcionário.

Foi a partir da morte de Wauthier que a pressão em que vivem as pessoas que desempenham cargos de topo na Suíça e noutros países ganhou novos contornos.