O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT) apelou esta segunda-feira à intervenção do Governo para evitar a compra da PT Portugal pelo grupo francês Altice.

O grupo Altice, liderado pelo milionário Patrick Drahi, anunciou que ofereceu 7.025 milhões de euros à operadora brasileira Oi para a compra dos ativos da Portugal Telecom fora de África.

Esta operação exclui os ativos da Africatel, a dívida da Rioforte (do Grupo Espírito Santo), no valor de 897 milhões de euros, e os veículos financeiros da PT.

Em comunicado, o STPT «apela à intervenção do Governo, evitando com uma ação adequada e atempada a possível compra da PT Portugal por este fundo de investimento».

O sindicato pede ainda aos administradores, «em especial ao presidente da PT SGPS, para que utilizam o seu poder de veto, recusando a venda da PT Portugal à Altice», que considera que «a SGPS, com o acordo dos seus acionistas deve fazer cessar de imediato o projeto de fusão com a Oi, negociando a recompra da PT Portugal através dos 25,6% de ações que detém».

A estrutura sindical defende que para «recompor o grupo PT em Portugal, a empresa deve procurar parceiros de projetos industriais de telecomunicações que deem crescimento e desenvolvimento tecnológico à economia e ao país».

O STPT lembra que «durante dezenas de anos a Portugal Telecom foi a empresa de telecomunicações que mais investiu em tecnologia e investigação em Portugal» e que fruto do seu desenvolvimento tecnológico foi «a primeira empresa a liderar o setor móvel, (...) a empresa que revolucionou o mercado brasileiro tornado a Vivo a maior operadora da América Latina», tal como na Internet ou no Meo.

«Lamentavelmente, a PT é hoje uma empresa sobreendividada, sem capacidade de investimento e à beira de ser comprada, por um fundo especulativo, a Altice», lamenta o sindicato, que aponta que após a compra da Cabovisão, o grupo despediu cerca de 30% dos trabalhadores da empresa, tendo também reduzido postos de trabalho na Oni.

A oferta da Altice surge na sequência de negociações encetadas em outubro com a brasileira Oi pela fatia da Portugal Telecom, também cobiçada pelo fundo de investimento britânico Apax Partners.