O líder do Novo Banco considerou esta quarta-feira que não houve falhas por parte da sua equipa de gestão no processo de venda do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV) ao empresário José Veiga, que foi abortado pelo Banco de Portugal.

O nosso trabalho é assegurar que um ativo que não é estratégico e que somos obrigados a vender fosse vendido num processo aberto e competitivo", afirmou aos jornalistas Eduardo Stock da Cunha durante a apresentação das contas de 2015.

Segundo o gestor, o Novo Banco contratou um consultor financeiro para o auxiliar nesta operação, o qual identificou 18 potenciais compradores. Destes, 11 mostraram interesse, mas apenas foram apresentadas duas propostas: uma não vinculativa e outra vinculativa, precisamente de José Veiga, empresário que agora se encontra detido em prisão preventiva por suspeita, entre outros, do crime de corrupção.

Tínhamos uma única proposta, de 14 milhões de euros, e com base nisso cumprimos a nossa missão. Passámos à fase seguinte, isto é, ir junto das instâncias competentes" para que as mesmas fizessem o seu trabalho e decidissem se o negócio podia, ou não, avançar, frisou Stock da Cunha.

E destacou: "Não me compete a mim avaliar a idoneidade de um comprador não residente de um banco não residente".

O gestor disse que informou o Banco de Portugal sobre o andamento da operação, apesar de isso não ser obrigatório no âmbito das competências que o regulador concedeu à atual administração do Novo Banco - banco de transição resultante da resolução do Banco Espírito Santo (BES) em agosto de 2014.

Tivemos esse cuidado e foi inscrito no contrato que o Banco de Portugal e a União Europeia tinham que ser informados sobre o negócio", afirmou.

"Sabemos hoje que as autoridades judiciárias fizeram o seu papel e investigaram a operação e o Banco de Portugal decidiu, com base em informação entretanto vinda a público – depois de termos assinado o contrato – que queria defender a reputação do Novo Banco e não autorizou a operação", prosseguiu.

Nós não somos justiceiros. Uma das condições que se tinha que cumprir não se cumpriu e o negócio não foi em frente", resumiu.

É um ativo que dissemos que temos que desinvestir. Temos a obrigação em termos de modelo de negócio e do plano de reestruturações. Temos intenção e obrigação de desinvestir em Cabo Verde", assegurou o responsável.

O empresário José Veiga, o advogado Paulo Santana Lopes e a advogada Maria Barbosa estão a ser investigados no âmbito do processo Rota do Atlântico.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), existem suspeitas dos crimes de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, tráfico de influência, fraude fiscal e participação económica em negócio na compra e venda de ações de uma instituição financeira estrangeira, ações detidas por uma instituição de crédito nacional.