O presidente do Novo Banco afirmou que a instituição ainda não encontrou uma solução de «caráter exclusivamente comercial» que possa compensar os clientes que subscreveram o papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES).

«A responsabilidade do papel comercial é, em primeiro lugar, dos emitentes e, em segundo lugar, como ficou claro, a medida de resolução diz expressamente que não pode o Novo Banco responder pelo papel comercial [do GES] que foi vendido aos balcões do BES», disse Eduardo Stock da Cunha, que falava aos jornalistas à margem da entrega dos Prémios Exportação e Internacionalização 2015.

Stock da Cunha lembrou que o Banco de Portugal veio dizer que «o Novo Banco pode encontrar soluções de caráter exclusivamente comercial, sempre e quando proteja a solvabilidade, a liquidez e a rentabilidade do banco».

«No entanto, como é um exercício muito difícil de fazer, ainda não conseguimos encontrar uma solução que vá ao encontro de todas estas questões», adiantou Stock da Cunha.

O banqueiro disse que estão a trabalhar numa solução, recordando o trabalho «muito importante de recuperação de confiança de todos os clientes do banco» que tem sido feito.

Stock da Cunha apontou que, depois de há cerca de dois meses ter dito que o Novo Banco já tinha recuperado 2.000 milhões de euros de depósitos desde final de setembro, «neste momento esse número duplicou».

«Só depois de recuperarmos a confiança dos nossos clientes, o que já foi conseguido, e de começarmos a entrar numa velocidade cruzeiro, que é fundamental para o sistema financeiro português, [uma vez que] também temos de saber dar crédito às pequenas e médias empresas portuguesas, como vimos hoje, sobretudo vocacionadas para a exportação, só depois disso estar feito e estarmos a conseguir fazê-lo é que podemos e devemos dedicar-nos a procurar uma solução, que é um solução para um problema que reconhecemos que existe, mas não é primariamente nosso».


Questionado sobre se a solução será encontrada antes da venda do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha respondeu: «Não sei quando vai estar resolvido, porque implica vários atores em jogo». Sublinhou ainda que «é importante que as pessoas percebam que a responsabilidade do reembolso do papel comercial não é do Novo Banco», mas pode ajudar.

«O Novo Banco pode tentar encontrar soluções de âmbito comercial quer permita, de certa forma, compensar os clientes. Para mim, o mais importante é que o Novo Banco está a voltar àquilo que é o seu negócio normal, recuperou muitíssimo em termos de depósitos e além disso é um banco que continua a emprestar dinheiro».


Sobre quem são os interessados na compra do Novo Banco, Stock da Cunha escusou-se a comentar, sublinhando que não é o dono do banco.