Eduardo Stock da Cunha mostrou-se esta quarta-feira satisfeito com a notícia avançada pela TVI de que os chineses da Fosun estarão interessados na compra do Novo Banco, entidade que lidera.

«A ser verdade, é uma excelente notícia», afirmou Stock da Cunha esta noite em entrevista ao «Jornal das 8», na TVI.

O banqueiro lembra que a sua equipa é «apenas a gestão do Novo Banco e que qualquer oferta terá que ser dirigida ao Banco de Portugal».

Novo Banco: ativo consolidado é de 72,5 mil milhões de euros

Note-se que os investidores chineses avaliam o banco em 3,5 mil milhões de euros, mas Stock da Cunha prefere «meter um travão» a este assunto. «O processo de venda vai iniciar-se muito em breve e não devemos especular sobre valores», referiu.

Stock da Cunha realça que este tem que ser um «processo aberto, competitivo e não discriminatório» e que os interessados «vão ter que entrar na fila», esclarecendo que «uma fila pode ser de um a muitos».

Novo Banco: venda rápida ou cautelosa?

Quando questionado se também é a favor da venda rápida do Novo Banco, Stock da Cunha deixa transparecer, nas suas palavras, a pressa nem sempre é amiga da perfeição.

«Não propriamente. O novo banco tem que ser vendido, ou melhor, tem que encontrar um acionista estável até ao dia 3 de agosto de 2016. Entende o governador do Banco de Portugal e algumas autoridades que a melhor altura será, algures, no segundo trimestre do próximo ano, o que significa que não é uma venda rápida. Uma venda rápida seria este fim de semana», declarou.
 
«O banco está a recuperar valor e, portanto, podemos esperar mais algum tempo de forma a que o banco continue esta curva ascendente para poder, de facto, ser transacionado nessa altura».

Recorde-se que, para além da notícia avançada esta quarta-feira pela TVI em relação à Fosun, também o BPI e o Santander já mostraram interesse no Novo Banco.

Banqueiro não poupa elogios aos seus colaboradores

Eduardo Stock da Cunha não poupa elogios à sua equipa, aos seus trabalhadores e ao banco que lidera e enaltece que «já não se confunde o Novo Banco com o BES».

«O Novo Banco é o terceiro maior banco do país, depois da CGD e do BCP. É o banco mais importante nos apoios às empresas portuguesas, às PME. É um ator fundamental, imprescindível e com um papel fundamental».

O gestor garante que o banco é «seguro» para trabalhar e deixa uma homenagem aos seus colaboradores, pelo «esforço e dedicação». «Todos têm sido incansáveis na recuperação de clientes e depósitos».

O presidente do Novo Banco diz que, «neste momento, a prioridade é recuperar valor, recuperar negócio. Há muito custo a extrair sem entrar no capítulo se temos pessoas a mais ou não».

Stock da Cunha garante que acompanha os seus colaboradores de perto e diz que aceitou a liderança do Novo Banco «porque era um desafio impossível de recusar».
 
Recorde-se que, do colapso do banco em agosto, só restou a separação da instituição em duas partes, por parte do Banco de Portugal.

No chamado banco mau (bad bank), um veículo que mantém o nome Banco Espírito Santo (BES), ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas, enquanto no «banco bom», o banco de transição que foi nomeado Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.

Veja a entrevista a Eduardo Stock da Cunha na íntegra AQUI