Quatro sindicatos que dizem representar mais de 80% dos trabalhadores do Grupo TAP lançaram esta sexta-feira uma declaração conjunta na qual se comprometem a lançar "todas as ações" necessárias para impedir a privatização da transportadora aérea.

"Juntam-se os sindicatos signatários no firme propósito de levar à prática todas as ações consideradas necessárias para que esta privatização não seja levada a cabo, tal como é vontade também da grande maioria dos trabalhadores da TAP e do povo português, e manter a TAP pública ao serviço do país e da economia nacional", lê-se no documento a que a agência Lusa teve acesso.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), que são os signatários desta declaração, não especificam quais as iniciativas que poderão ser concretizadas.

Estas estruturas sindicais vêm assim "reafirmar a sua determinação em se opor ao processo de privatização em curso que, a concretizar-se, seria fatal para a TAP, para o país e para a economia nacional e manifestam hoje, como sempre têm feito, total disponibilidade para demonstrar as várias alternativas existentes a este processo de privatização".

E destacam a sua vontade de "exigir ao Governo e ao Conselho de Administração o fim da discriminação e o cumprimento dos respetivos Acordos de Empresa, no respeito pela Lei, e apelar à opinião pública e ao povo português para que se una de modo a parar, enquanto ainda é tempo, esta insensatez do Governo, que seria a entrega do Grupo TAP a uma entidade que seguramente o vai desmantelar, empobrecendo assim o país".

Na declaração conjunta, os sindicatos consideram que "a situação social e financeira" da companhia resulta das "opções tomadas pelos vários governos que se têm sucedido ao longo dos últimos anos" e acusam a própria equipa de gestão liderada por Fernando Pinto de nunca ter levado em consideração os sucessivos alertas e apelos dos sindicatos e de estar a infligir "sucessivas perdas à TAP, que a conduziram para a difícil situação em que se encontra".

Mesmo sublinhando que "pouco se conhece das propostas de compra do capital social do Grupo TAP, dado o secretismo que o Governo está a impor neste processo de 'contra relógio' implementado", dizem que o mesmo "parece encaminhar-se para um desastroso epílogo que terá como consequência a destruição da TAP".

Os sindicatos exigem que o acionista único, o Estado português, assuma "as responsabilidades e a rápida resolução da situação do ruinoso negócio do Brasil, de modo a acabar com esse sorvedouro de recursos - já com mais de 500 milhões de euros de perdas acumuladas - que está a estrangular financeiramente todo o Grupo TAP, descapitalizando-o".

Já o processo de privatização em curso é apelidado de "insensato", pelo que os signatários apelam ao Governo para que reconsidere a sua decisão e suspenda "de imediato" a venda.

O Governo decidiu na quinta-feira em Conselho de Ministros passar dois candidatos à compra da TAP à fase de negociação, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral e continuando a negociar com Gérman Efromovich e David Neeleman.

O Conselho de Ministros decidiu mandatar os secretários de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Tesouro, Isabel Castelo Branco, para avançar com as negociações junto dos outros dois consórcios, sempre com a Parpública incluída.

A proposta de Gérman Efromovich, dono da operadora aérea Avianca e do grupo Synergy, inclui a entrega de 12 novos aviões Airbus após a transferência das ações da companhia e a renovação da frota da Portugália com aviões Embraer até 2016, sendo que o empresário propõe recapitalizar a empresa em 250 milhões de euros, segundo informações avançadas pela imprensa.

David Neeleman, patrão da companhia aérea brasileira Azul e que está em parceria com Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, promete reforçar a TAP com 53 novos aviões e investir 350 milhões de euros.

Já Miguel Pais do Amaral, através da Quifel, prometia manter a estratégia da administração de Fernando Pinto, com a compra dos 12 Airbus 350 já encomendados pela TAP e uma injeção de capital de 325 milhões de euros.