O presidente executivo da Sonae, Paulo Azevedo, disse na quinta-feira à noite que mantém a esperança de que a crise tenha tido um impacto positivo em diversas vertentes nacionais, entre as quais os partidos e os gestores.

Paulo Azevedo explicou, durante uma intervenção enquanto moderador de um debate com o presidente executivo do Lloyds, António Horta Osório, que fez anotações «quando esta crise começou» sobre «os gestores e a gestão, sobre a solidez institucional do regime político e sobre os portugueses».

«Para o sistema institucional, o que me parecia era que se conseguíssemos aumentar a qualidade dos partidos e dos quadros partidários, a sua competência financeira e de gestão, se conseguíssemos reforçar a competência das autoridades, se conseguíssemos reforçar o papel das instituições da sociedade civil e se conseguíssemos diminuir a demagogia, o "spinning", os "soundbytes"» seria positivo, afirmou o dirigente da Sonae perante uma plateia de 300 pessoas, entre as quais o antigo presidente da Câmara do Porto Rui Rio.

Paulo Azevedo disse ainda que «seria muito positivo para os gestores se da crise resultasse uma menor procura de protecionismo do Governo, de privilégios, de influências políticas» e «que os gestores deixassem de procurar negócios politicamente protegidos da concorrência e que, pelo contrário, abraçassem a diferenciação pela competência e pela inovação».

Já em relação aos portugueses, o presidente executivo da Sonae disse esperar que a crise tenha levado a um aumento da literacia financeira e da responsabilidade coletiva do país.

«Conseguir que solidário significasse uma pessoa comprometer-se com uma vida de trabalho, produtiva, que gere valor para a sociedade, pagar muitos impostos, ajudar quem não teve as mesmas possibilidades e não uma ideia de solidariedade que há por vezes que é basicamente fazer o que apetece a cada um independentemente de isso gerar valor para a sociedade ou ser um peso para a sociedade e achar que os outros devem pagar muitos impostos», explicou.

Quando terminou os três pontos, Paulo Azevedo disse não saber até que ponto tal se concretizou, mas que «pelo menos alguns destes estarão incompletos».