A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do Grupo Espírito Santo (GES) vai-se manifestar na sexta-feira e no sábado em Sintra, no segundo fórum mundial do Banco Central Europeu (BCE), soube-se hoje.

De acordo com informações prestadas à agência Lusa por uma responsável da associação, Carla Costa, "a manifestação vai-se prolongar pelos dois dias" e arranca às 20:00 de sexta-feira com uma vigília junto ao hotel em Sintra onde decorre o encontro de governadores.

"Depois, no sábado, vai acontecer outra manifestação logo às 11:00 no mesmo local. Aí já estão previstas mais pessoas, virão pessoas e autocarros do norte e de todo o país", declarou Carla Costa.

Nesse mesmo sábado, pelas 15:00, haverá uma assembleia-geral da associação num outro hotel em Sintra, e pelas 20:00 haverá um cordão humano formado novamente na unidade hoteleira onde irá decorrer o segundo fórum mundial do BCE.

O BCE realiza entre hoje e sábado o seu segundo fórum mundial, juntando novamente em Sintra algumas das mais influentes personalidades do mundo da política monetária para debater o desemprego e a baixa inflação na Europa.

A partir de hoje e até sábado vão passar pelo ‘ECB Forum on Central Banking’ dezenas de economistas e responsáveis internacionais: o presidente do BCE, Mario Draghi, vai abrir os trabalhos esta noite, dando depois a palavra ao vice-presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Stanley Fischer.

Durante a conferência será possível ouvir ainda os governadores dos bancos centrais de Inglaterra, Mark Carney, da Irlanda, Patrick Honohan, e do Japão, Haruhiko Kuroda.

Recentemente, o presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial afirmou que o BCE "não está bem informado" sobre o que foi prometido pelo Banco de Portugal (BdP) aos clientes do GES.

Em declarações à agência Lusa, Ricardo Ângelo disse que o supervisor bancário europeu "não está contra uma solução" para os lesados do papel comercial do GES, mas "quer apenas uma solução que esteja dentro dos parâmetros jurídicos", de forma a evitar a abertura de precedentes que possa ser usada em situações semelhantes.

Ou seja, a associação frisou estar interessada "também numa solução jurídica, chamando-se solução comercial ou não", desde que, segundo Ricardo Ângelo, "haja pagamento integral do montante do papel comercial, como o BdP e o Novo Banco sempre disseram até fevereiro deste ano".

O Diário Económico noticiou também recentemente que o BCE exige ter uma palavra final em qualquer solução que venha a ser encontrada para os clientes que investiram em papel comercial do GES, enviando um email ao BdP e "não aceitando que o Novo Banco compense os investidores, dado que tal poria em causa a hierarquia de credores prevista nas regras europeias da resolução bancária".