Portugal obteve a melhor posição de sempre no ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial em 2014, impulsionado pelo impacto das reformas estruturais, mas pode continuar a subir, se for capaz de conter o défice e reduzir o fardo da dívida.

Neste índice, que integra dados macro-económicos e a percepção de empresários sobre o ambiente de investimento, Portugal subiu quinze posições face a 2013, para 36ºlugar em 144 países.

«Os gestores portugueses estão bastantes mais confiantes na economia portuguesa, mais confiantes no crescimento nos próximos anos», adiantou António Brochado Correia, partner da PriceWaterHouseCoopers, na apresentação do relatório em Lisboa.

Entre as áreas mais fortes do país estão as infraestruturas, em que Portugal está em décimo-sétimo, classificando-se em segundo, nas estradas.

Além de infra-estruturas fiáveis, os investidores vêem com bons olhos a competitividade de custos no país e o elevado nível de qualificação da força de trabalho.

Acresce que, desde o ano passado, houve a percepção de uma melhoria na legislação laboral restritiva.

O FEM sublinhou que Portugal melhorou na facilidade de criação de negócios, área em que ocupa a quinta posição, face à 89ª em 2006.

Portugal ultrapassou no ranking Itália, Malta, Polónia e República Checa e também países em desenvolvimento como o Azerbaijão, as ilhas Maurícias e a Lituânia. Segue um lugar atrás de Espanha, que está em 35º.

«É a primeira vez que subimos substancialmente após um período muito complicado da nossa história económica em que só caímos», disse, na apresentação do relatório, Ilídio de Ayala Serôdio, vice-presidente da Proforum, organização que visa promover a engenharia portuguesa.

Tendo em conta os dados comparáveis desde 2006, Portugal obteve a melhor posição de sempre. Em 2006, o FEM alargou o número de indicadores e países analisados.

Segundo o relatório, os fatores mais problemáticos para fazer negócio em Portugal incluem, primeiro, a ineficiência da burocracia governamental, seguida dos impostos, do acesso a financiamento, e da estabilidade das políticas.

Luís Filipe Pereira, presidente do Fórum de Administradores de Empresas (FAE), disse que os resultados são animadores mas que há ainda muito por fazer para tornar Portugal mais competitivo.

«Temos de melhorar o acesso ao crédito às pequenas e médias empresas. Temos de melhorar a rapidez com que empresas acedem a crédito e o custo», referiu.

«Há outro aspeto que nos penalizou bastante neste relatório que tem a ver com os grandes indicadores macro-económicos: o caso do défice e dívida. São aspetos que só a prazo podem ser resolvidos», vincou.

Portugal tem a sua pior classificação relativa no indicador do rácio de dívida pública face ao PIB: 138 em 144 países.

Na semana pasada, a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque disse que o rácio de dívida pública deverá chegar a 130,9% do PIB este ano.

«Como é que se pode dizer que Portugal subiu quando tem uma dívida pública tão elevada? O Japão tem a maior dívida pública mundial e está em sexto lugar», afirmou Luís Filipe Pereira.