O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) pretende adotar medidas conjuntas com os sindicatos de Espanha, Itália e França, no âmbito do anunciado desinvestimento do britânico Barclays Bank nas suas operações de retalho nestes mercados.

O sindicato liderado por Afonso Diz realizou na quinta-feira, em Lisboa, uma sessão de esclarecimento para os trabalhadores do Barclays Portugal, na qual «foi realçada a importância de se adotarem medidas comuns com os sindicatos espanhóis, italianos e franceses, bem como outras estruturas representativas dos trabalhadores do Barclays, de forma a que seja mantido o maior número de postos de trabalho no banco», lê-se num comunicado hoje enviado à agência Lusa.

O SNQTB revelou que já está a «diligenciar contactos com as estruturas representativas dos trabalhadores do Barclays Bank naqueles países» e que «pretende evitar que as recentes decisões da administração do banco coloquem em causa os postos de trabalho».

E reforçou: «Importa que os trabalhadores e as suas estruturas representativas tomem posições firmes e coordenadas, pois estão em causa milhares de trabalhadores em vários países da Europa».

Esta força sindical quer que «sejam salvaguardadas as condições conformes às expectativas que foram criadas pelo próprio banco junto dos trabalhadores, não só aquando da admissão destes, como ao longo da vigência dos respetivos contratos de trabalho».

E exige «que sejam definidos, de forma clara, coerente e célere, os objetivos e estratégia para o banco em Portugal».

De acordo com o documento do SNQTB, durante a sessão de quinta-feira foram «esclarecidas muitas dúvidas suscitadas pelos trabalhadores face aos vários cenários possíveis, tendo sido realçada a importância destes serem acompanhados em todo o processo pelo sindicato».

A entidade alertou ainda que «dado que a reestruturação anunciada do banco poderá decorrer num período relativamente alargado de tempo, podendo, nesse período, serem afetados direitos adquiridos pelos trabalhadores e suas legítimas expectativas, o SNQTB (que representa a maioria dos trabalhadores do Barclays em Portugal) continuará atento e interveniente, em conjunto com as organizações representativas dos trabalhadores de outros países».

No início de maio, soube-se que a operação do Barclays em Portugal deixou de ser considerada estratégica para o grupo britânico, o que deverá implicar o fim da atividade de retalho no país a médio prazo.

O presidente executivo do Barclays, Antony Jenkins, anunciou a 8 de maio a revisão da estratégia do grupo, para se focar nas «áreas onde tem capacidade e vantagem competitiva», e que passa pela supressão de 14 mil empregos só este ano.

Dentro das áreas não-estratégicas, está incluída a atividade de retalho do Barclays na Europa, onde se inserem as operações em Portugal, Espanha, França e Itália.

O britânico Barclays já tem vindo a reestruturar a sua operação em Portugal, nos últimos anos, tendo saído mais de 400 trabalhadores entre 2012 e 2013, além do fecho de mais de uma centena de balcões.

Atualmente, trabalham no grupo em Portugal 1.600 funcionários e continuam abertas 147 agências.