Depois de quase quatro anos congelado, o salário mínimo nacional aumentou 15 euros em outubro de 2014 ainda com o Governo PSD/CDS-PP, que protagonizou essa única atualização durante toda a legislatura. O atual Executivo de António Costa, socialista, promete aumentá-lo até aos 600 euros em 2016. As negociações com os parceiros sociais começam esta quinta-feira.

Não se antecipam reuniões fáceis para o novo ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva. Há algumas forças contrárias, não só nos tempos, como nos objetivos: desde sindicatos a patrões, embora em âmbitos diferentes (ver infografia em baixo).

Seja como for, uma subida para 530 euros em 2016 será, mesmo assim, três euros inferior ao ano de 1974. Estranho? Se fizermos as contas pelo índice de conversão de preços ao consumidor em 2014, há quarenta anos o valor era, em euros e não em escudos, de 533,26€. 

O aumento previsto de 25 euros abrangerá mais meio milhão de funcionários. No total, passarão a ser 1,2 milhões de pessoas - isto é, um terço dos trabalhadores por conta de outrém - a ter um pouco mais de dinheiro na conta bancária, ao fim do mês. 

O valor de 600 euros é, pretende o Governo, para ser alcançado gradualmente, até ao final da legislatura, em 2019. Se lá chegar, estará de qualquer modo longe dos valores praticados em muitos países da União Europeia.

Portugal está a meio da tabela (como pode ver também na infografia, sendo que o Eurostat faz as contas incluindo o subsídio de férias e de Natal, ou seja, os 14 meses). O salário mínimo mais alto é praticado num país com uma grande comunidade de emigrantes portugueses: 1923 euros. Mais do triplo daquilo que está em cima da mesa na concertação social.