O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) considerou este sábado que o memorando assinado por nove sindicatos e pelo Governo é «uma mão cheia de nada», acusando o Executivo de só «querer ganhar tempo».

Contactado pela Lusa, o dirigente do SITAVA Paulo Duarte considerou que o memorando assinado entre o Governo e nove sindicatos da TAP, que na quarta-feira desconvocaram a greve marcada pelo período entre hoje e terça-feira, «é uma mão cheia de nada» e que «não assegura» a manutenção da companhia aérea na esfera do Estado e o futuro dos trabalhadores.

«O que o Governo diz é vamos discutir, mas se não chegarmos a acordo quem prevalece a posição do Governo. Isto não é para cumprir nada, foi só para ganhar tempo», considerou o sindicalista.


Por outro lado, Paulo Duarte disse que não será dado poder de veto aos representantes dos trabalhadores no conselho consultivo sobre o futuro da empresa. «Os nove sindicatos vão participar num conselho consultivo sem direito de veto. Não sei que decisões podem ser tomadas assim», considerou.

Numa nota enviada este sábado aos seus associados, os nove sindicatos da TAP que na quarta-feira desconvocaram o protesto dizem que vão ter uma palavra a dizer nas decisões estratégicas para o futuro da empresa, através da participação num conselho consultivo: «Ficou definido que até 31 de janeiro de 2015, os sindicatos e o conselho de administração da TAP, com a orientação do Governo, resolverão todas as disputas interpretativas em curso no domínio dos Acordos de Empresa, de todas as empresas do grupo».

O SITAVA foi um dos três sindicatos que manteve o pré-aviso da greve na TAP, depois dos restantes nove sindicatos (dos 12 que em conjunto tinham apresentado pré-avisos de greve para o período entre este sábado e terça-feira), terem desconvocado a paralisação.

Os três sindicatos afirmaram que acatariam a requisição civil decretada pelo Governo e este sábado, apelando aos funcionários da TAP que se apresentem ao serviço durante o período de greve.

O SITAVA, cujo pré-aviso de greve diz respeito apenas aos dias 29 e 30, aguarda ainda pela decisão do tribunal sobre o pedido que fez para a impugnação da requisição civil decretada pelo Governo, disse o dirigente sindical à Lusa.

Paulo Duarte disse que os trabalhadores devem apresentar-se ao serviço até que o tribunal se pronuncie e que, caso a decisão seja pela impugnação da requisição, devem ser cumpridos apenas os serviços mínimos decretados para o período de greve, a partir desse momento.

A decisão de relançar a privatização da companhia aérea, suspensa em dezembro de 2012, acendeu uma onda de contestação que culminou com a marcação desta greve por uma plataforma que juntou 12 sindicatos, à qual o Governo respondeu com a imposição de uma requisição civil aos trabalhadores da TAP, para minimizar o impacto da paralisação sobretudo a pensar nas famílias que se encontram no Natal.

A Lusa tentou contactar a TAP, mas até ao momento não foi possível.