Os sindicatos da função pública consideram que os trabalhadores do setor estão indignados com o Governo e, por isso, preveem «uma forte adesão» à greve de sexta-feira, cujos primeiros efeitos se sentirão ao início da noite desta quinta-feira.

As três estruturas sindicais que convocaram a paralisação estimam um maior impacto da ação de luta nos hospitais, escolas, tribunais, recolha de lixo, segurança social e repartições de finanças.

A greve, inicialmente convocada pela Federação sindical filiada na CGTP, começa já esta noite para os trabalhadores que cumprem o turno noturno, como é o caso dos bombeiros, do pessoal dos hospitais e da recolha de lixo nalgumas cidades.

Artur sequeira, dirigente da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública disse à Lusa que a mobilização dos trabalhadores «é muito grande», por isso «a adesão à greve poderá chegar aos 80% de adesão», em média.
O sindicalista acredita que muitos serviços da administração pública, nomeadamente escolas, encerrem devido à paralisação.

José Abraão, secretário-geral do Sindicato dos trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), que também emitiu pré-aviso de greve para sexta-feira, também manifestou otimismo quanto aos resultados da paralisação, «tendo em conta a disponibilidade manifestada pelos trabalhadores».

«Os trabalhadores estão muito zangados e empenhados no protesto e, por isso, esperamos que esta greve tenha um forte significado e que o Governo tire dela as conclusões necessárias para mudar de política», disse o sindicalista da UGT.

A presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, Helena Rodrigues, considerou igualmente que a paralisação «vai ter um significado muito grande».

«Foram os trabalhadores que fizeram uma pressão muito grande para que o STE tomasse uma posição mais forte de repúdio pelas políticas do Governo, por isso, acreditamos que a greve leve ao encerramento de muitos serviços públicos por todo o país», disse.

Na origem da convocação da greve estão os cortes salariais na função pública, o aumento do horário semanal das 35 para as 40 horas, a colocação de trabalhadores no regime de requalificação, o congelamento das carreiras e a falta de negociação no setor.