O Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SINTAF) critica o Governo pelos novos administradores apontados para a Caixa Geral de Depósitos, considerando que muitos não têm experiência e há conflitos de interesse, e pede uma clarificação sobre a estratégia para o banco público.

“Estranha-se que o atual Governo persevere na política de nomeação de gente ligada aos mesmos três partidos e aos mesmos interesses do capital, sem garantias expressas de defesa do banco público e dos interesses dos trabalhadores”

Em comunicado, a estrutura sindical que representa trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos e que é afeta à CGTP considera que muitos dos gestores nomeados não têm “qualquer experiência de gestão bancária” e que os seus currículos o que revelam é “o bom serviço prestado aos interesses do capital”. Em muitos casos, diz ainda, existem “conflitos de interesses evidentes”, uma vez que têm ligações a empresas com relações comerciais com a CGD ou que são rivais, dando como exemplo aqueles que vêm do BPI.

O Sintaf crítica ainda a reestruturação que está prevista ser feita no banco, em que é já conhecido o corte de 2.500 postos de trabalho através de reformas e rescisões voluntárias, referindo que não tem “outro fundamento que não seja o de tornar a CGD mais pequena e mais pobre”, defendendo que o banco deve continuar completamente público e devidamente capitalizado pelo Estado, seu acionista único.

Lembra ainda o sindicato que, apesar dos recentes prejuízos, “só na primeira década do século XXI, a CGD entregou ao Estado 2.400 milhões de euros em dividendos e 1.250 milhões de euros em impostos”, isto apesar de – diz – o banco ter sido vítima de erros de gestão e “favores ilegítimos”, além de que foi usado como “barriga de aluguer de prejuízos e interesses externos”, casos do BNU, BPN ou da tomada de participações na Portugal Telecom.

O Sintaf pede que o Governo faça uma “clarificação urgente” dos objetivos para a CGD “de forma a assegurar-se o reforço da instituição pública e a defesa dos interesses dos seus trabalhadores”.