O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, considerou esta terça-feira “um erro” a discussão à volta do salário mínimo nacional ser levada a cabo na praça pública “como se fosse uma arma de arremesso entre partidos”.

“Estar a discutir as questões do salário mínimo nacional na praça pública como se fosse arma de arremesso entre partidos políticos (…) achamos um erro”, frisou Carlos Silva aos jornalistas no final de uma reunião com a candidata presidencial Maria de Belém Roseira, na sede da central sindical, em Lisboa.

Assim, o secretário-geral afirmou que os parceiros sociais “não declinam” a sua responsabilidade, querendo que esta matéria seja discutida com todos os empregadores, sindicatos e Governo.

“Não regateamos esforços a que os partidos se entendam para resolver os problemas do país, mas não podem nem devem, na nossa opinião, ponderar retirar ou esvaziar a concertação social porque ela é fundamental para discutir questões como o salário mínimo nacional”, acrescentou.

Quanto ao valor do salário mínimo nacional a UGT apresentou uma proposta de aumento para os 535 euros em 2016, uma proposta “caldeada com a necessidade de perceber o que é a produtividade, o que é inflação”, sendo considerado pela central sindical um valor “moderado e ponderado”.

“Nós entendemos, pela nossa leitura da atividade económica em Portugal, que há condições para a generalidade do tecido empresarial português responder à exigência dos 535 euros”, vincou, ressalvando ser “evidente se alguém propuser ou impuser os 600 euros qual é a central sindical ou sindicato que diz aos trabalhadores que não está de acordo”.

Carlos Silva afirmou ainda que se houver disponibilidade de todas as partes para esse valor, a UGT também estará de acordo com o aumento do salário mínimo de 505 para 600 euros, ressalvando que “nunca aceitariam um valor inferior ao aumento líquido de 2015, que foram 20 euros”.

O secretário-geral da UGT ironizou também a situação, comparando-a a uma competição entre entidades para ver quem propõe o valor mais alto para o salário mínimo nacional.

“Se é para ver quem é que ganha o ‘ranking’ de quem é que apresenta um valor maior, nós propomos já o valor do salário mínimo do Luxemburgo, vamos para os 1600 euros e vamos ver o que dizem os empresários em Portugal”, disse, acrescentando que o objetivo é “defender o emprego e postos de trabalho”.

O líder da UGT salientou também que, se o atual executivo cair perante as moções de rejeição ao programa de Governo que a esquerda está a planear apresentar na próxima semana, “o Governo que vier terá de se sentar à mesa da concertação, dando-lhe a valorização que merece e permitir que os empregadores e os sindicados possam chegar a um acordo que efetivamente reponha poder de compra, rendimentos e justiça social na questão do salário mínimo”.