A coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, defendeu hoje a demissão do Governo e a revogação das políticas de austeridade que tem retirado remuneração e direitos aos trabalhadores da função pública.

«Continuamos a pedir eleições antecipadas, a demissão do Governo e a rotura com as políticas de direita e vamos continuar a lutar por isso», disse a sindicalista aos milhares de funcionários públicos que se concentraram hoje à tarde junto à Assembleia da República.

No final do protesto, Ana Avoila declarou aos jornalistas que a única solução para os problemas dos trabalhadores da Administração Pública e para os serviços públicos é a demissão do atual Governo.

«Este Governo e este Orçamento do Estado hoje aprovado demonstraram que os trabalhadores da administração pública vão continuar a sofrer os mesmos cortes nas remunerações e a retirada de direitos», afirmou.

Ana Avoila lembrou ainda que, com a reforma do Estado, já foram encerrados muitos serviços e muitos outros o serão.

«O Governo está a tentar poupar dinheiro à custa da degradação dos serviços públicos. Esta é uma política que detrói os direitos dos trabalhadores da administração pública e da população, por isso defendemos a demissão imediata do Governo e eleições imediatas», disse a coordenadora da Frente Comum.

A manifestação da Frente Comum contou com a participação de vários milhares de trabalhadores da função pública de todo o país, que mostraram o seu decontemtamento pelos cortes salariais, congelamento de carreiras, aumento do horário de trabalho e perda de postos de trabalho.

A Frente Comum emitiu o habitual pré-aviso de greve para dar cobertura legal aos trabalhadores que se deslocaram a Lisboa para participar no protesto e, segundo Ana Avoila, isso levou ao encerramento de dezenas escolas e de alguns museus, apesar de não se tratar formalmente de uma greve.

No final do protesto, os manifestantes aprovaram uma resolução a defender a valorização dos salários, dos direitos e dos serviços públicos.

O documento salienta que, desde 2010, os funcionários públicos perderam 24,1% do poder de compra e acusa o Governo de pretender despedir cerca de 15.000 trabalhadores atavés da requalificação.