A estrutura sindical da TAP vai pedir uma reunião com caráter de urgência aos ministros do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral, sobre o processo de privatização da companhia aérea.

O objetivo é discutir o processo de reprivatização da companhia aérea, mas também para “pedir a intervenção do Governo e da Assembleia da República" num processo que os sindicatos consideram que "levanta muitas dúvidas legais e que coloca em risco o futuro da empresa", lê-se em comunicado. 

A decisão de pedir uma reunião foi tomada pela estrutura sindical da TAP, constituída pelos sindicatos SITAVA (trabalhadores da aviação e aeroportos), SINTAC (trabalhadores da aviação civil) e SNPVAC (do pessoal de voo), sendo que ainda serão pedidos também encontros a “todos os partidos com assento parlamentar”.

No documento, os sindicatos referem ainda que o processo poderá afetar várias outras empresas, pondo em causa muitos postos de trabalho indiretos "prejudicando em larga medida a economia portuguesa e aumentando o risco de agravamento de uma já debilitada segurança social”.

As medidas que o novo dono da TAP pretende executar “servem, única e exclusivamente, os diferentes interesses das várias empresas com ligações conhecidas a todo este processo”, alegam ainda.

A 12 de novembro, o Governo ainda liderado por Passos Coelho assinou o contrato de venda de 61% do grupo TAP ao consórcio Gateway, de Humberto Pedrosa e de David Neeleman.

Quanto às medidas que consideram nocivas para a companhia aérea, são referidas no comunicado a venda de “terrenos e edifícios da TAP junto do aeroporto, para garantir os 150 milhões de euros da prometida capitalização, criando assim as condições para a deslocalização da manutenção para a M&E Brasil ou o abandono total da SPDH/Groundforce, e de outras empresas associadas do grupo TAP”.

Apontam ainda que a “venda ou cedência da posição dos A350, […], irá servir para a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, entrar no mercado asiático, após a compra de 23,7% da companhia aérea brasileira por 420 milhões de euros, pelo grupo chinês HNA, negócio apenas possível após a conclusão da compra de 61% da TAP SGPS, pela parte de David Neeleman”.

A estrutura sindical da TAP considera que é “cada vez mais claro que o anterior Governo não protegeu os interesses do país e muito menos garantiu o futuro da TAP Portugal e dos seus trabalhadores”, pelo que defendem que sejam tomadas medidas para evitar o cenário que antecipam de “esvaziamento do atual hub nacional para o Brasil, a externalização da atividade de manutenção da TAP SA, uma brutal redução da atividade do Grupo TAP com a venda e/ou desmantelamento de diversas empresas associadas”.

A estrutura sindical da TAP, constituída pelo SITAVA, SINTAC e SNPVAC, não concorda com a privatização da transportadora nacional e já tinha dito que, assim que o novo Governo tomasse posse, ia cobrar as promessas eleitorais.

Durante a campanha, o agora primeiro-ministro, António Costa, disse que um governo socialista não ia permitir que a TAP tivesse mais de 51% de capital privatizado.