O Sindicato da Construção de Portugal quer juntar num debate sobre o Túnel do Marão Passos Coelho e José Sócrates, exigindo que o primeiro-ministro explique o «crime» social e laboral de ter parado as obras quando foi eleito.

Em conferência de imprensa, o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, reiterou as preocupações com a segurança nas obras do Túnel de Marão, que estão paradas desde junho de 2011 e cujos contratos de conceção/construção foram adjudicados no final de julho deste ano.

Albano Ribeiro vai assim convidar para um debate sobre o Túnel do Marão, a realizar em setembro, o ex-primeiro-ministro socialista, José Sócrates, o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho e o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro.

«É uma conferência onde vamos convidar um técnico versado na matéria para explicar que Passos Coelho, o que fez, foi de uma forma muito irracional, não pensou. Foi um crime social e laboral ter feito aquilo que fez, ou seja, parar as obras logo quando for eleito», criticou.

Na opinião do sindicalista, «José Sócrates vai estar como o peixe na água porque aquilo que fez, fez muito bem» e quem vai «ficar muito mal na fotografia» é Passos Coelho, que vai ter que «explicar ao país» o porquê te ser parado as obras.

«Há uma coisa que eu aqui posso garantir: quem vai inaugurar aquilo foi quem lançou, vai ser um Governo socialista, não vai ser o PSD de certeza», acrescentou, considerando ainda que «não foi por acaso que Passos Coelho perdeu a Câmara de Vila Real».

Albano Ribeiro criticou o facto de as obras estarem ainda paradas depois do anúncio formal do arranque das mesmas e não terem começado nem os acessos nem estaleiros para as obras, para além das instalações sociais não terem ainda sido repostas.

«Não há razão nenhuma para que venha um membro da comissão política do PSD/Bragança dizer que as obras vão continuar paradas por mais 45 dias por causa das negociações, por não haver dinheiro», criticou.

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal alertou ainda que a Opway, empresa que ganhou um dos concursos para os acessos, «está ligada ao BES e ficou do lado do banco mau».

«A empresa que ganhou um concurso que não tem trabalhadores da produção. Um concurso público não deve dar lugar a uma situação destas. Não tem nem sequer um andaime. Essa empresa vai recorrer ao trabalho precário», denunciou.

Albano Ribeiro reiterou as preocupações já manifestadas pelo sindicato: «Dado que as obras dos túneis do Marão, por iniciativa do primeiro-ministro, estão paradas há mais de ano e meio, o sindicato está preocupado com a questão da segurança porque não houve manutenção».

«Já pedimos uma audiência às Estradas de Portugal para celebrar um protocolo para que não haja acidentes mortais», afirmou.

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal disse ainda que «em relação ao custo da obra, em dezembro de 2011 o secretário de Estado dizia que havia 200 milhões de euros para a obra e agora disseram que só vão agora reabrir as obras porque não havia dinheiro».

«Há aqui uma contradição. Estes 200 milhões de euros serviram para dar folga para a derrapagem orçamental não fosse tão grande. Por isso é que a obra vai avançar agora», condenou.