O porta-voz do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) recusou “discutir os números” do primeiro dia de greve na TAP e rejeitou a ideia de um fracasso. Recorde-se que o balanço final do primeiro dia de greve apresentado pela TAP indica que apenas 30% dos voos previstos foram cancelados. O comandante Hélder Santinhos afirmou, esta sexta-feira, no Jornal das 8 da TVI, que o sindicato esperava que o primeiro dia de greve ocorresse desta forma e explicou porquê.

“Não vou discutir os números. Estávamos à espera que ocorresse desta forma. Porque há muitos aviões que estão fora da base. Metade dos voos realizados eram de aviões que estavam estacionados fora da base e todos os regressos a Lisboa faziam parte dos serviços mínimos.”


O comandante acredita, assim, que a adesão à greve irá aumentar nos próximos dias, apesar de admitir que a greve tem dividido os pilotos.

“A greve tem dividido os pilotos porque infelizmente alguns pilotos põem os seus interesses pessoais à frente dos interesses coletivos.”


Hélder Santinhos desvalorizou os prejuízos desta greve de dez dias para a empresa, sublinhando que se a TAP luta pela sobrevivência isso se deve à gestão feita nos últimos 14 anos e, sobretudo, devido à falta de supervisão dessa gestão.

“Se a TAP luta pela sobrevivência isso deve-se à gestão dos últimos 14 anos e à inação dos governantes que deviam ter feito a adequada supervisão da empresa. Não é uma greve que destrói uma empresa.”


O comandante frisou que o SPAC continua aberto a negociações, mas considera que estas estão encerradas por parte do Governo.

“O SPAC está aberto a negociações mas pelo que temos acompanhado as negociações estão encerradas por parte do Governo. O objetivo do Governo é anular o poder reivindicativo do sindicato para poder entregar ao privado uma empresa socialmente estável da pior forma.”