Os funcionários públicos vão receber menos em janeiro do que recebiam em 2010, apesar da devolução parcial dos cortes salariais e de receberem um duodécimo do subsídio de Natal, de acordo com simulações da PricewaterhouseCoopers (PwC).

De acordo com as simulações feitas pela PwC para a Lusa, os salários de janeiro dos funcionários públicos vão continuar a ser inferiores aos de 2010, o último ano em que as remunerações dos trabalhadores das administrações públicas foram pagas por inteiro, oscilando esta diferença entre os 45 euros e os 309 euros, consoante o nível de rendimento.

O ano de 2010 foi último em que os trabalhadores do Estado receberam o vencimento sem qualquer corte, já que a partir de 2011, os que recebiam mais de 1.500 euros brutos passaram a ver os seus salários cortados progressivamente entre os 3,5% e os 10%.

Entretanto, em 2013, o então ministro das Finanças Vítor Gaspar alterou os escalões do IRS - Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares, que passaram de oito para cinco, o que se traduziu num "enorme aumento de impostos", como o próprio admitiu na altura.

Esta reorganização dos escalões do IRS continua em vigor e é essencialmente o que explica que os funcionários públicos continuem a ganhar menos em janeiro de 2016 - quando os seus salários serão revertidos em 40% face ao corte inicial aplicado em 2011 - do que aquilo que ganhavam em 2010.

Depois de em 2015 o anterior Governo PSD/CDS ter reposto 20% dos cortes salariais aplicados aos vencimentos dos funcionários públicos que auferissem mais de 1.500 euros brutos por mês, ao longo deste ano, o executivo de António Costa vai repor progressivamente estas remunerações: a reversão será de 40% nas remunerações pagas a partir de 01 de janeiro, de 60% nas auferidas a partir de 01 de abril, de 80% nas pagas a partir de 01 de julho, extinguindo-se totalmente nos salários pagos a partir de 01 de outubro.

Tal como em 2015, este ano o subsídio de Natal será pago em duodécimos, o que significa que também deverá aumentar ao longo do ano, uma vez que é pago em função do rendimento auferido em cada mês.

No entanto, nem mesmo o facto de o subsídio de Natal continuar a ser pago por duodécimos será suficiente para levar os rendimentos líquidos dos funcionários públicos para os níveis de 2010.

Para realizar estas simulações, a PwC assumiu que se trata de um agregado familiar com dois titulares casados e um dependente, que as taxas de retenção na fonte de 2016 serão iguais às de 2015 e considerou também as contribuições para a ADSE e para a Caixa Geral de Aposentações (CGA).