O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, advertiu esta segunda-feira para o facto de o poder político ter sido capturado pelo poder financeiro e defendeu também um projeto de desenvolvimento económico e social para uma década.

«A maior transformação dos últimos tempos foi a captura do poder político pelo poder financeiro», disse líder do CES no 35.º Aniversário da UGT, em Lisboa, tendo defendido um projeto para Portugal com uma perspetiva de médio longo prazo, de pelo menos 10 anos.

Silva Peneda considerou que não é realista pensar-se que Portugal pode, depois de ultrapassada «uma crise com a dimensão da atual», voltar ao mesmo ponto de partida, acrescentando que «o sistema político falhou» ao revelar-se incapaz de «disciplinar o sistema financeiro».

Segundo Silva Peneda, é preciso um novo modelo que, explicou, assenta em três vértices: As contas públicas, que «devem estar equilibradas», o crescimento da economia e a reforma do Estado.

«Sem coordenação e compatibilização» não será possível pôr este triângulo a funcionar de maneira equilibrada, esclareceu, pelo que advogou um projeto a médio e longo prazo que seja posto em prática.

«Medidas de curto prazo não resolvem o problema da economia portuguesa e do desemprego», concluiu.