O presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, defendeu esta quarta-feira que o sucessor de Silva Peneda na presidência do Conselho Económico e Social tem de ser uma personalidade «isenta», que não ocupe o cargo por lógicas partidárias.

O presidente da CIP, que tem assento no Conselho Económico e Social, adiantou esperar «razoabilidade» na escolha do novo presidente, pedindo aos partidos que decidam tendo em conta «as competências e o perfil» da pessoa e não a sua «cor política».

António Saraiva, que falava após a segunda Sessão da Comissão Mista Portugal-Arábia Saudita, realizada hoje em Lisboa com a presença do vice-primeiro ministro Paulo Portas, e do ministro do Comércio da Arábia Saudita, Tawfiq Bin Fawzan Al-Rabiah, adiantou que gostaria que este tema «fosse tratado com a celeridade e, sobretudo, com a serenidade que ele exige».

Para o responsável da CIP, é necessário que o presidente do CES tenha um «determinado perfil equidistante, isento e que domine um conjunto de sensibilidades», isto é, seja «um construtor de pontes».

O atual presidente do CES, Silva Peneda, está a cerca de um mês de abandonar o cargo para iniciar funções como adjunto do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, estando em discussão no parlamento a sua sucessão.

Silva Peneda foi reeleito presidente do CES a 11 de outubro de 2011.

A maioria PSD/CDS pretende que o cargo de presidente do CES seja decidido através de uma eleição formal durante o período de uma legislatura. Já o PS avança com o nome de Manuel Lemos, vice-presidente e presidente da União das Misericórdias Portuguesas para ocupar o lugar.

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, apelou esta quarta-feira a um entendimento entre os partidos sobre uma solução para a presidência do CES, após a saída de Silva Peneda do cargo até dia 01 de maio.
«A presidente foi muito assertiva, o lugar fica vago no dia 01 de maio, e é necessário que os partidos se entendam antes», comunicou aos jornalistas o porta-voz da conferência de líderes parlamentares, o deputado social-democrata Duarte Pacheco.

A discussão na conferência de líderes foi, por enquanto, «inconclusiva», apontou o porta-voz, referindo que «a maioria mostrou-se inclinada para a eleição e o PS para que os vice-presidentes do CES assumissem a liderança».
Nem PCP nem BE se pronunciaram, acrescentou.