O presidente da KPMG Angola já está a ser ouvido na comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo. A audição, à porta fechada, arrancou com hora e meia de atraso. Estava agendada para as 16:00 e teve início pouco depois das 17:30.

Sikander Sattar invocou o «segredo bancário» angolano para requerer aos deputados uma audição sem a presença da comunicação social. O pedido foi deferido. 

O também  presidente da KPMG Portugal e já foi ouvido pelos deputados, nessa qualidade. A sua primeira audição foi no dia 2 de dezembro de 2014, parte à porta aberta, parte à porta fechada. Tudo por causa do BESA, o Banco Espírito Santo Angola.
 
E, como fez logo questão de distinguir os cargos é, por isso, a primeira pessoa a ser ouvida duas vezes nesta comissão, mas em qualidades diferentes.

A primeira audição de Sikander Sattar em 6 pontos 

Dessa vez que esteve no Parlamento, esquivou-se às perguntas sobre o BES Angola e o caso dos créditos concedidos pelo BES, dinheiro que se perdeu com a queda da garantia dada pelo estado angolano, que fez com que o fundo de resolução tivesse de injetar mais dinheiro no Novo Banco, quando se decidiu dividir o BES em dois. Na altura, disse apenas que a garantia gerou «muita confusão».  

BES: Angola é mais do que a pergunta do milhão de dólares

Em Portugal, o responsável pela auditora garantiu aos deputados que a KPMG fez o trabalho de casa, que lhe competia, quanto à exposição do BES ao GES.  Indicou que os alertas vinham de 2011, embora os indícios mais fortes tenham surgido no final de 2013 com a «grande exposição» à Espírito Santo Internacional. 

Fez uma revelação: que as obrigações que geraram mais-valias de 700 milhões de euros foram compradas e vendidas por intermédio da Espírito Santo Panamá. Houve um «desvio» que acabou por gerar perdas de 1.200 milhões no BES, já depois de fechadas as contas do primeiro semestre.