A edição da Feira Nacional da Agricultura (FNA) que hoje termina foi «a maior de sempre» realizada no espaço do Centro Nacional de Exposições (CNEMA), em Santarém, apesar do contexto de crise, realçou hoje a organização.

Luís Mira, administrador do CNEMA e secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), disse, em conferência de imprensa de balanço do certame, que a declaração política de confiança dada ao setor agrícola pelos inúmeros responsáveis políticos que passaram pela feira constituiu um dos factos mais importantes da edição deste ano da FNA.

Luís Mira realçou a grande participação do setor e a afluência do público numa feira que, além de maior em área e em número de expositores (650), melhorou em termos da organização e de «pontos de interesse» e recebeu, em todos os nove dias, visitas dos mais altos responsáveis políticos e de todos os líderes partidários.

Para o administrador do CNEMA, a forte presença política na feira mostra a atenção dada a um setor que, mesmo em período de crise, «se comporta exatamente ao contrário».

Luís Mira sublinhou o facto «inédito» de a FNA ter recebido a visita simultânea das ministras da Agricultura de Portugal e de Espanha, de ter tido, num dia, a visita do primeiro-ministro, do vice-primeiro-ministro, da ministra da Agricultura e de três secretários de Estado, de vários outros ministros (Economia, Emprego e Segurança Social) e secretários de Estado e dos líderes partidários dos principais partidos políticos portugueses, o que considerou «extremamente importante na comunicação das políticas» para a agricultura.

«A receção dada pelo setor a todos eles é irrepreensível», afirmou, referindo o facto de todos os políticos que visitaram a feira terem sido recebidos com cordialidade nos «tempos conturbados» que se vivem.

Apesar de a agenda política ter sido a de maior visibilidade, o certame incluiu um conjunto de iniciativas de interesse para o setor, como 28 sessões temáticas que reuniram milhares de pessoas nas cinco salas que funcionaram em simultâneo ao longo dos nove dias e por onde passaram, não só o anúncio das decisões nacionais em relação à Política Agrícola Comum e das questões relacionadas com a contabilidade e a fiscalidade para o setor, como também as novidades tecnológicas, adiantou.

Luís Mira destacou a presença, pela primeira vez, da fileira do setor florestal e frisou o «investimento forte» feito por algumas empresas «que acreditam na feira e investem a médio prazo», como aconteceu este ano com o Centro de Interpretação do Ovo e a exposição de 500 galinhas poedeiras.

Na área dedicada aos consumidores, o salão Prazer de Provar, «elevou o nível», tendo sido ganha a aposta da cozinha ao vivo, bem como dos concursos que premeiam os melhores produtos tradicionais existentes a nível nacional, disse.

Como exemplo apontou o caso do melhor bolo-rei de 2013, que subiu as suas vendas dos 800 quilogramas por altura do Natal para as seis toneladas, fruto da projeção conseguida no concurso do ano passado, sublinhando a «consequência direta» da iniciativa nas vendas.

O negócio gerado na feira terá, nas estimativas do CNEMA, uma expressão significativa também ao nível da maquinaria, que tem vindo a reforçar a sua presença no certame.

As melhorias introduzidas no espaço dedicado aos animais e as inúmeras iniciativas e concursos no domínio da pecuária fazem da feira uma referência nesta área, disse, apontando, como exemplo, a presença de equinos e de coudelarias como não conhece «em nenhuma outra iniciativa».

Luís Mira considerou que a FNA se distingue pela dimensão e diversidade, suscitando a originalidade do seu formato «equilibrado e global» ¿ ao aliar questões técnicas, maquinaria, gado, consumo, gastronomia ¿ o interesse, nomeadamente, de certames internacionais, como a Feira de Paris, cujo responsável visitou a feira esta semana.

O certame terá, este ano, recebido mais de 200.000 visitantes, realçou.