A TAP registou um prejuízo de 106,4 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, e é o maior peso no total dos prejuízos do setor empresarial do Estado, que ascenderam aos 378,1 milhões.

Os dados do trimestre ainda não incorporam os efeitos da greve de dez dias, dos pilotos, em maio, que terá custado 35 milhões de euros à companhia.

Aliás, conforme se pode verificar no relatório trimestral das contas das empresas públicas, é o setor dos transportes que mais peso tem no acumular de prejuízos: o Metro de Lisboa teve prejuízos de 27,1 milhões, mas o Metro do Porto registou um resultado negativo de 74,6 milhões. Já a Refer acumulou 21,3 milhões de euros de prejuízos.

Segue-se o setor da saúde, com o prejuízo total de 95 milhões de euros. Só em Lisboa, o centro hospitalar Lisboa Central e Lisboa Norte acumularam 43,8 milhões de euros de prejuízos nos primeiros três meses do ano.

No total, e face há um ano, o setor empresarial do Estado registou uma descida de 5% no resultado líquido das empresas públicas. Mas o endividamento também desceu, cerca de 2%.

Além dos prejuízos, a dívida também, cresceu na TAP: a empresa contraiu 94 milhões de euros em dívidas de janeiro a março, devido à necessidade de reforçar a tesouraria por via do desempenho operacional verificado no primeiro trimestre de 2015. “Esta evolução espelha o plano de pagamentos da dívida, nomeadamente as amortizações de leasings financeiros e de financiamentos”, lê-se no relatório.

O resultado financeiro foi ainda penalizado em 11 milhões de euros, devido a diferenças cambiais. O EBITDA foi de menos 74,7 milhões de euros.

Notas ainda para os gastos operacionais: “um maior número de trabalhos de manutenção de frota, conservação e reparação, e custos extraordinários com passageiros e fretamento de aviões”.  Outros gastos: “taxas de aterragem, taxas de navegação, catering, deslocações e estadias do pessoal e assistência por terceiros e subsídios atribuídos ao pessoal”.

 

Parvalorem e Estradas de Portugal ficam melhor na fotografia


O relatório destaca ainda duas empresas pela positiva, a Estradas de Portugal, agora fazendo parte da Infraestruturas de Portugal, e a Parvalorem, que gere os ativos tóxicos do BPN.

No caso da EP, a empresa viu os seus lucros aumentarem para 21 milhões de euros no trimestre. Esta “melhora significativa”, diz o relatório, deveu-se essencialmente ao aumento dos rendimentos com a Contribuição do Serviço Rodoviário em 24,7 milhões de euros.

A Parvalorem, “obteve também um acréscimo considerável” do resultado líquido, devido a ganhos cambiais obtidos na reavaliação de operações de créditos denominadas em dólares. “Não obstante a variação positiva descrita, o resultado líquido manteve-se negativo em cerca de 27 milhões de euros, devido aos juros suportados com o passivo remunerado no valor de aproximadamente 32 milhões de euros”.