Portugal foi esta quarta-feira apresentado como um «segredo bem guardado» para o outsourcing (a subcontratação de serviços) durante um seminário na embaixada de Portugal em Paris.

A expressão «segredo bem guardado» foi utilizada por Armand Angeli, fundador e vice-presidente da Associação Europeia de Outsourcing, durante o encontro organizado pela delegação parisiense da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e pela Associação Portuguesa de Outsourcing, nota a Lusa.

Em causa, a elevada qualificação da mão-de-obra portuguesa, o custo competitivo do trabalho e os benefícios fiscais para as empresas que queiram subcontratar serviços e instalar centros em Portugal.

Na abertura da conferência, o Embaixador de Portugal, José Filipe Moraes Cabral, destacou França como «o segundo parceiro económico de Portugal» e sublinhou a «imagem positiva de Portugal em França com 45 mil empresas criadas pelos portugueses e reconhecidas pela qualidade do trabalho».

Perante uma plateia de meia centena de empresários, José Filipe Moraes Cabral realçou, ainda, «a mão-de-obra qualificada e flexível em Portugal e a qualidade das infraestruturas de ponta».

Por outro lado, Castro Henriques, membro do Conselho de Administração do AICEP, especificou as vantagens de um «Portugal moderno», e apontou como alguns dos exemplos os «43 por cento de estudantes com cursos nas altas tecnologias», os «salários competitivos» e uma «combinação dos incentivos fiscais e ajudas à criação de empregos».

«Portugal é o país onde vale a pena investir, porque temos bons resultados e a prova disso é que poderemos vir a passar de um centro de outsourcing para uma filial», descreveu Victor Duarte, diretor da Lusotechnip, empresa criada há três anos pela francesa Technip.

A empresa-mãe gere projetos de engenharia e de construção para a indústria energética e escolheu instalar um centro em Portugal por causa da «alta qualificação das pessoas e da língua», a qual permite aceder aos mercados do Brasil, Angola e Moçambique, acrescentou.

Também a Altran, uma empresa francesa de consultoria de inovação e tecnologia, está a ter um balanço positivo em Portugal, avançou Célia Reis, diretora executiva da Altran Portugal.

Célia Reis disse, por exemplo, que as ajudas à contratação de estagiários profissionais permitiram «pagar o salário do estagiário durante um ano», acrescentando que em caso de contratação no final há, ainda, ajudas que permitem ter «quase metade do salário do consultor pago durante um ano».

Didier Jacquemin, diretor financeiro para o sul da Europa da FAURECIA, empresa de componentes da indústria automóvel, preferiu destacar «os preços competitivos da mão-de-obra e a qualidade de trabalho com pessoas altamente diplomadas», anunciando que a empresa está a «considerar se cria uma nova unidade ou se amplia as atuais».

«Um emprego transferido de França para Portugal faz-nos ganhar 30 mil euros por ano», acrescentou o responsável.