O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) exigiu esta sexta-feira a nacionalização dos CTT, denunciou a existência de "assédio laboral" e alertou para a falta de trabalhadores, avisando que está em causa a qualidade do serviço postal.

Em conferência de imprensa na cidade de Braga, escreve a Lusa, o secretário-geral daquele sindicato, Vítor Narciso, defendeu que os serviços dos correios precisam de "pelo menos" mais 600 trabalhadores para assegurarem um serviço de qualidade e atribuiu à privatização dos CTT a "degradação" das condições de trabalho dentro da empresa.

O responsável, que lembrou que antes da privatização dos CTT a empresa perdeu 2.400 trabalhadores e encerrou cerca de 200 estações, apontou como efeitos da falta de pessoas e da "pressão" sobre os trabalhadores a existência de atrasos "superiores a uma semana" na distribuição de correspondência.

"Vamos lutar contra a privatização, vamos exigir a nacionalização e a reabertura das estações de serviços fechadas porque fazem falta", declarou Vítor Narciso.


Segundo o responsável, "a qualidade dos serviços piorou de maneira assustadora" depois da privatização da empresa, assim como as condições de trabalho dos carteiros e do pessoal do atendimento, havendo mesmo "assédio laboral e perseguições" a trabalhadores.

"Preocupa-nos a qualidade do serviço, está em causa o brio dos carteiros. Há funcionários a trabalhar mais três e quatro horas para além do horário sem que lhes paguem nada. Os trabalhadores estão exaustos e é a população que sai prejudicada", explicou o dirigente da Comissão de Trabalhadores dos CTT João Carvalho.

"As chefias pressionam os trabalhadores a fazerem mais horas e se não fizerem o serviço não são avaliados, não recebem prémios, alteram-lhes os giros. A pressão é tanta que as pessoas chegaram ao limite", denunciou.


Os responsáveis explicaram que houve um "aumento do trabalho que veio da absorção de outras empresas do grupo CTT mas que não foi acompanhado pelo aumento de trabalhadores".

Por isso, exigem mais pessoal: "Fazem falta mais 600 trabalhadores".

Assim, explicou Vítor Narciso, o sindicato está "em fase de discussão destes problemas, e de outros, depois serão auscultados os trabalhadores e depois vai-se para a rua", sem adiantar que formas de luta podem os trabalhadores dos CTT adotar.

O secretário-geral do SNTCT deixou ainda críticas à atuação da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACON), a quem cabe estabelecer e vigiar a qualidade dos serviços dos correios nacionais. Acusou-a de nada fazer “para obrigar os CTT a cumprir a qualidade do serviço".