Os primeiros três dias de greve dos pilotos já custaram à TAP 10,02 milhões de euros, revelou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, numa conferência de imprensa no Ministério da Economia.

"Esta perda já não conseguimos evitar. Os custos indiretos não são passiveis de ser evitados, mas podemos evitar os 20 milhões de perdas estimados para os restantes dias", sublinhou o governante.

Para o responsável, a TAP está a ressentir-se de forma muito importante com esta greve, estando em risco a relação de confiança com os clientes.

Sérgio Monteiro deixou ainda o apelo para que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil desconvoque a greve de dez dias: "Fica o repto final para a direção sindical. Os pilotos já deram a resposta que o país esperava, os restantes trabalhadores também. A direção [do sindicato] que desconvoque esta greve com a brevidade possível. E quem sabe que possa voltar à mesa de negociações com a TAP".

O governante quis também deixar um agradecimento aos "trabalhadores anónimos", que têm trabalhado para garantir que o impacto desta greve junto dos clientes seja minimizado. "E aqui fica, de todo o país, um agradecimento aos trabalhadores anónimos, que não fazem parte da direção sindical que convocou esta greve".

Os pilotos da TAP cumprem esta segunda-feira o quarto de dez dias de greve, por considerarem que o Governo não está a cumprir dois acordos, assinados em 1999 e em dezembro de 2014.   

No balanço feito às 19:00, a transportadora aérea adiantou que 77 voos foram cancelados e 182 ligações foram efetuadas, ou seja, cerca de 70% dos voos foram realizados.

Também esta segunda-feira Lino Rodrigues, consultor do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, decidiu renunciar aos honorários pagos pela instituição, de acordo com um comunicado enviado aos associados a que a TVI teve acesso. 

Para exercer as funções de consultor do sindicato nos últimos anos Lino Rodrigues terá recebido uma quantia avultada paga pelo próprio sindicato. 

Questionado pelos jornalistas, Sérgio Monteiro escusou-se a tecer comentários sobre o assunto.

O SPAC diz que o Governo não pretende cumprir o acordo assinado em dezembro, o que é manifesto pelo facto de não ter incluído sanções ao incumprimento no caderno de encargos da privatização. Neste ponto, o mais polémico é a reposição das diuturnidades (subsídio de senioridade), congeladas sucessivamente desde o Orçamento de Estado para 2011. 

Sérgio Monteiro sublinha que os restantes sindicatos que assinaram o acordo não partiram para a greve, deixando implicito que o acordo está a ser cumprido.

O primeiro acordo conferia aos pilotos uma participação de até 20% da TAP em caso de privatização, em troca de atualização dos salários, mas o Governo diz atualmente que a pretensão não tem qualquer validade, remetendo para um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República, que dá aquela pretensão como prescrita.