O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações afirmou hoje que «não há garantias de manutenção de postos de trabalho» na sequência da fusão das empresas Estradas de Portugal (EP) e Refer (Rede Ferroviária Nacional).

Em resposta a uma questão colocada por um jornalista, Sérgio Monteiro disse: «a inferência é sua de que há pessoas a dispensar no âmbito desta fusão. O governo nunca o disse. Não estamos a trabalhar em cenários dessa natureza. Também não asseguramos de forma nenhuma um nº x de postos de trabalho».

Pouco depois, o governante foi mais claro ao afirmar que «não há nenhuma garantia de manutenção de postos de trabalho».

«As empresas têm de ser eficientes no trabalho que fazem e têm de ter o nível de emprego que a sua atividade justifica», acrescentou.

Sérgio Monteiro falava aos jornalistas no final da cerimónia de assinatura do contrato para a construção do troço final do IC16 entre o Nó da Pontinha e a Rotunda de Benfica, em Lisboa.

No que respeita à fusão das empresas, o secretário de Estado disse que o objetivo é trabalhar em cenários de melhoria operacional e conseguir poupar verbas ao nível da manutenção, dos concursos que são lançados, na racionalidade quando se decide uma intervenção das EP e da Refer ao mesmo tempo e no mesmo distrito e na venda de ativos imobiliários que as empresas têm no país e não estão a ser utilizados.

«São esse tipo de sinergias que vamos procurar conseguir com a fusão, muito mais do que sinergias com as pessoas. Não há nenhuma garantia de manutenção de postos de trabalho. Temos de ser muito eficientes, criar riqueza, criar valor, não é certamente com greves que o vamos conseguir», disse referindo-se à paralisação de hoje dos ferroviários.

Para Sérgio Monteiro, a greve de hoje mostrou «mais uma vez que não tem nada de laboral».

«São greves de natureza política que já nos habituaram no setor dos transportes, que nós condenamos veementemente, que põem em causa a perceção que as pessoas têm da fiabilidade do serviço, que afastam passageiros do transporte público. Tudo motivos muito negativos para se fazer uma greve», criticou.

Cerca de uma centena de comboios foram suprimidos entre as 00:00 e as 16:00 de hoje em todo o país devido à greve de 24 horas dos trabalhadores do setor ferroviário, disse à Lusa fonte oficial da CP.

Os trabalhadores contestaram as políticas do Governo para o setor ferroviário, nomeadamente as concessões previstas na CP e a fusão entre a Refer e a EP.