O presidente do supervisor do setor segurador, José Almaça, desvalorizou esta quarta-feira o lucro de 432 milhões de euros apurado pelas seguradoras em Portugal no primeiro semestre, salientando que o mesmo teve por base o bom desempenho dos mercados.

"Os resultados que foram obtidos são consequência de situações meramente de momento, ou seja, foram mais-valias geradas nos mercados financeiros, que fizeram com que o resultado final atingisse aqueles valores", afirmou o responsável durante a apresentação de dois relatórios da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), em Lisboa.

Isto, "ainda que tenhamos um setor que é sólido, que tem solvência - está com níveis de solvência elevados mesmo com os testes que foram feitos com Solvência II [novas regras], em que os requisitos de capital são superiores e mais exigentes, considerando outros riscos, mesmo assim o setor continua com níveis de solvência acima dos 100% - o que é muito bom", sublinhou.

"Portanto, não nos devemos cingir ao lucro, até porque se pensarmos nos capitais que estão investidos, não é nada. Se fizermos em termos comparativos o resultado que o setor gerou, mesmo considerando os resultados das mais-valias dos produtos financeiros, e se se dividir esses resultados pelos capitais próprios de todo o setor, isso não é nada", vincou Almaça.

O líder do supervisor diz estar mais focado nos resultados técnicos dos vários ramos da atividade.

"O lucro, em si, não é uma questão que me preocupe ou que seja para mim relevante. É importante é a exploração técnica dos ramos. Ora, nós temos vários ramos e há um, que é o do Acidentes de Trabalho, que vem há vários anos a dar resultados negativos. E também há outros ramos com que temos que ter cuidado da forma como os tratamos", frisou.

E reforçou: "Isso significa que, para nós, sob o ponto de vista da supervisão e também por parte das seguradoras, o que é importante são os resultados técnicos, porque o resultado no seu conjunto pouco diz".

O resultado líquido das companhias de seguros que operam no mercado português subiu 68% para 432 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, face aos 257 milhões de euros registados em igual período de 2014, segundo os números oficiais da ASF, que especificou que, das 47 empresas de seguros que atuam em Portugal e que estão sob sua supervisão, 37 apresentaram resultados positivos.