O mercado dos seguros é sempre um "lugar" estranho para muito portugueses. A maior abertura do mercado permitiu a entrada de mais empresas, com novas ofertas, e tornou, em muito casos, os seguros mais baratos. Mas será que sabe tudo sobre o seu seguro? Concretamente em dois tão necessários como o de vida e o da casa?

O espaço da Economia24, no "Diário da Manhã" da TVI, recebeu Luís Tavares, diretor e coordenador nacional da DS Seguros e especialista na área.

Os portugueses têm sempre dúvidas na hora de contratarem seguros, mas é melhor ter um?

Sim. Grande parte dos seguros em Portugal são obrigatórios, mas existem alguns em que é preciso estar atento, sobretudo às coberturas.

Por exemplo?

A grande maioria dos portugueses têm uma casa própria, compro-a com recurso a crédito e foi obrigado, pelos bancos, a fazer um seguro de vida. Esse seguro serve para cobrir a morte ou a invalidez. Quando se fala de morte, a maioria dos seguros é praticamente idêntica, mas quando se fala de invalidez há grandes diferenças.

Quais?

Existem dois tipos de coberturas totais. A de invalidez absoluta e definitiva, muito usada pelos bancos quando se faz o seguro de crédito à habitação por intermédio do banco – o objetivo é diminuir a taxa do crédito. É preciso ter em atenção que esse tipo de seguro só pode ser acionado quando o cliente tem uma invalidez superior a 90% (tem que estar dependente de terceiros para as funções vitais do dia a dia). Isso acontece poucas vezes e, regra geral, quando há uma invalidez não se atinge esse grau.

O cliente devia ter o outro tipo: um seguro de invalidez total e permanente.

Não são informados?

Normalmente não há uma grande informação. E grande parte dos clientes não tem essa cobertura. Imagine o caso de um agregado familiar em que um dos elementos fica com uma invalidez, e o crédito à habitação fica por pagar. É um drama.

O que fazer?

Deve procurar aconselhamento para garantir que tem a cobertura certa.

E se já tiver o seguro, e não o correto, pode mudar?

Sim. É sempre possível e aplica-se a qualquer seguro. Em todas as áreas o cliente pode, a qualquer momento, solicitar uma alteração de contrato.

O valor é que paga muda?

Obviamente vai ter um reajuste. Pagar mais ou menos. Diariamente ajudamos centenas de clientes, em todo o país, para conseguirem renegociar o seguro de vida do crédito à habitação. E muitas vezes, famílias, acima dos 45 anos, conseguem ter reduções em relação ao preço inicial acima de 50%.

Como se consegue ter, eventualmente, uma cobertura maior (adequada) e reduzir o preço?

Porque durante anos houve um monopólio, em que só a banca podia fazer esses seguros, e por força de uma alteração legislativa, imposta pela Europa, há cerca de 5, 6 anos, os bancos passaram a não poder obrigar os clientes a terem um seguro de vida via banco. Isso fez com que várias companhias internacionais viessem operar para o nosso mercado. O que aumentou a concorrência e puxou os preços para baixo.

No caso do seguro da casa. Ter um não é sinónimo de receio protegido?

Há uma desinformação muito grande. Quando as pessoas contraíam crédito para comprar a casa, o próprio banco levava-as a ter um seguro multirriscos. Em caso de haver uma situação que destrua o imóvel, em si, tem que haver um seguro.

Mas este seguro não inclui o receio e o cliente, pensando que tem seguro de casa, não tem.

São seguros muito baratos em que, até cerca de 200 euros por ano, se fica com o receio segurado.