O Eurogrupo aprovou hoje princípios para uma maior sustentabilidade das pensões. Apesar do “progresso significativo”, há “riscos consideráveis em muitos Estados-membros”, especialmente, a médio prazo, consideram os ministros das Finanças da zona euro.

Foi afirmada a necessidade de “medidas adicionais” no reforço da resiliência dos sistemas públicos de pensões para enfrentar adversidades a nível da demografia e macroeconomia e contra o risco de reversão de reformas.

Por ser essencial o apoio social e político para o sucesso, deverão ser estabelecidas posições comuns sobre os desafios, um diálogo construtivo e envolvimento dos responsáveis da área, segundo as conclusões do Eurogrupo, que convidou a Comissão Europeia para avaliar a evolução feita pelos países, no âmbito dos seus processos de monitorização e para permitir também uma avaliação periódica pelos ministros das finanças zona euro.

A questão deverá ser novamente tratada no primeiro semestre de 2017, após poderem ser produzidos relatórios sobre o assunto.

Recorde-se que a este propósito, em Portugal, o líder da oposição, Pedro Passos Coelho (PSD), desafiou no início de junho o primeiro-ministro, António Costa, para um consenso na Segurança Social, argumentando que "é imperioso não adiar a resposta política a este problema" e que a matéria não pode ficar reduzida às "preferências partidárias".

As críticas do Governo vieram no dia seguinte, pela voz do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que acusou Pedro Passos Coelho de fazer uma "manobra de diversão".

Depois, a esquerda parlamentar acabou por chumbar a proposta social-democrata para criar uma comissão para essa reforma da Segurança Social. 

Brexit e o assassinato de uma deputada ensombram Eurogrupo

Na conferência de imprensa que se seguiu ao Eurogrupo, foram evitadas questões sobre o ‘Brexit’ devido ao assassinato de uma parlamentar britânica, ocorrido precisamente esta quinta-feira.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, informou ter sido respeitado um minuto de silêncio pela morte de Jo Cox, do Partido Trabalhista, que foi baleada hoje mortalmente.

“Esperamos que a população do Reino Unido faça as suas escolhas democráticas de forma serena e segura”, acrescentou o responsável, referindo-se ao referendo da próxima semana sobre a permanência, ou não, do país na União Europeia.

Também a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, remeteu comentários sobre as questões económicas britânicas para um relatório que “deverá ser publicado em breve, mas possivelmente não nas próximas 12 horas, por razões óbvias”.

O comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, manifestou o “choque pela trágica morte” da britânica, que recordou por, nomeadamente, ter “dedicado muitos anos da sua jovem vida a ajudar os mais pobres e desesperados”.