Trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) realizam na sexta-feira uma greve de 24 horas para exigir aumentos salariais, congelados desde 2009, e progressão nas carreiras.

Alcides Teles, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, que convocou a greve, explicou à Lusa que os trabalhadores pretendem também a retirada - pela Santa Casa - de algumas propostas em sede de negociação do Acordo de Empresa, o fim das situações de precariedade e o reforço de pessoal em alguns serviços.

“A Misericórdia apresentou, em 2015, um resultado líquido de 5,8 milhões de euros e este dinheiro, parte dele, tem de ir para os trabalhadores. [A SCML] não tem intenção de aumentar os salários dos trabalhadores, que estão congelados desde 2009”

O sindicalista admitiu que a Misericórdia fez uma progressão extraordinária de trabalhadores em janeiro.

“Mas não é isso que se quer. Quer-se que os trabalhadores progridam de acordo com o direito que têm a progredir e não de acordo com os critérios que a Misericórdia entende. A Misericórdia diz que progrediram 1.700 trabalhadores e esqueceu-se de dizer que 3.300 não progrediram. Inventou critérios para a progressão e nós não concordamos com isso”, considerou.

Por seu lado, numa nota divulgada hoje na sua página na internet, a SCML considerou que “esta greve não se justifica”.

Na mesma nota, a Misericórdia lembrou que, em dezembro do ano passado, “decidiu atribuir um prémio anual aos trabalhadores (cerca de um milhão de euros)”, em janeiro “avançou com o processo extraordinário de progressões (cerca de dois milhões de euros)” e que, recentemente, “foi atribuído um seguro de saúde aos trabalhadores com salários mais baixos (cerca de meio milhão de euros)”.

A Santa Casa realça também a internalização de cerca de 300 ajudantes familiares em dezembro e indica que, “no que diz respeito aos trabalhadores que foram contratados pela SCML a prazo incerto, será necessário aguardar para que cada uma das novas respostas sociais possa integrar os trabalhadores (cerca de 120)”.

Os trabalhadores realizaram uma primeira greve em abril de 2015 pelos mesmos motivos.

A SCML tem cerca de 4.000 trabalhadores com contrato individual de trabalho (setor privado) e, por outro lado, 700 com vínculo à função pública, que se regem sob as regras da contratação pública.