A Alemanha afastou esta sexta-feira o cenário de que Portugal venha a precisar de um novo resgate. O próprio Mecanismo Europeu de Estabilidade veio dizer o mesmo depois, na sequência da subida dos juros da dívida portuguesa no início do ano e dos máximos de dois anos registados na primeira metade de fevereiro. 


"Não há necessidade de um novo programa de resgate do Mecanismo Europeu de Estabilidade".

São estas as palavras do porta-voz do ministério de Wolfgang Schauble, num comunicado enviado à Reuters por e-mail, no qual incita o atual Governo a continuar o caminho do anterior no que diz respeito às reformas estruturais. 

Lembra-se ainda, também por escrito, que Portugal foi sujeito a um programa de ajustamento entre 2011 e 2014 em troca do qual recebeu apoio financeiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. E que o governo de Passos Coelho começou a  implementar reformas estruturais bem sucedidas para melhorar a competitividade e para a saúde das finanças públicas.

"É importante que o governo atual continue com estas políticas económicas bem sucedidas"

Na reta final das negociações no âmbito do Orçamento do Estado para Portugal, a 11 de fevereiro, o próprio Wolfgang Schauble falou de viva voz aos jornalistas, defendendo que Portugal "não deve dar a impressão de estar a afastar-se" desse caminho e "perturbar os mercados".

A dureza do ministro alemão provocou reações na sala do Eurogrupo e apenas Espanha defendeu Portugal.

Depois disso, Schauble fez votos para que Portugal "não volte a ter os problemas do passado", realçando ainda assim que a situação do país nos mercados aumenta a pressão sobre o Orçamento que, já se sabe, acabou por ser aprovado pela esquerda parlamentar.

Os juros da dívida a 10 anos estão hoje a subir ligeiramente, mas negoceiam abaixo dos três por centro (2,96%).