
Nicolas Sarkozy, recandidato à presidência em França, afirmou na última noite que as «eurobonds» são o único ponto de desacordo entre as suas propostas para solucionar a crise na Europa e as do candidato socialista, François Hollande.
Os dois candidatos, que no domingo disputam a segunda volta da corrida ao Eliseu, estiveram ontem frente a frente, no único debate televisivo em que participam antes da eleição, escreve a Lusa.
Na discussão sobre as propostas de cada um para a Europa, o debate voltou a ficar dominado pela economia, com François Hollande a repetir as suas ideias para o crescimento: criação de obrigações europeias («eurobonds») para financiar projetos industriais de infraestruturas, aumento do financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI), criação de uma taxa sobre transações financeiras e mobilização do remanescente dos fundos estruturais europeus não utilizados para apoiar projetos.
Em resposta, Nicolas Sarkozy afirmou que a necessidade de crescimento de que o socialista fala já estava prevista no Pacto Orçamental Europeu e que muitas das medidas que ele defende para resolver a crise já foram tomadas.
«Há um ponto de desacordo, os eurobonds, que significam que vamos financiar a dívida dos outros e isso eu não quero. Nunca a França pediu emprestado a tão baixos juros, enquanto a Espanha, depois de sete anos de Governo socialista, paga o dobro. A minha gestão não foi assim tão desastrosa», afirmou.
François Hollande garantiu, como tem feito durante a campanha, que vai renegociar, o Pacto Orçamental Europeu para que ele «integre medidas de apoio ao crescimento dos países».
O socialista afirmou ainda que já sente a Europa «a mexer» em relação ao tema do crescimento e considerou que uma das questões da eleição de domingo será perceber se o Presidente eleito terá a «capacidade de fazer a Alemanha mexer».
«O Sr. Hollande conhece mal a Europa. Não chega dar um murro na mesa», respondeu Sarkozy.
O debate começou às 21h00 (20h00 em Lisboa) e deverá durar duas horas e meia. A economia (crise, dívida, crescimento, emprego), a Europa e a imigração dominaram a maior parte da discussão até agora. Os candidatos vão ainda debater as suas propostas para política externa.