O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa vai estar em greve entre as 20:00 do dia 23 e as 08:00 de 26 de dezembro, contra a falta de condições laborais e de efetivos.

De acordo com o comunicado, os bombeiros do RSB «estão descontentes com a atual situação do maior corpo de bombeiros profissionais do país e com a indefinição do futuro próximo».

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais, Sérgio Carvalho, afirmou que a greve é o «último recurso», acrescentando, contudo, que «vão estar assegurados serviços mínimos para garantir o socorro à população, em situações de emergência».

Ainda assim, «tudo o que não seja serviços de socorro não será garantido», como é o caso dos serviços administrativos e de prevenção, explicou.

No caso do aeroporto de Lisboa, os serviços mínimos serão «apenas os voos militares, os voos médicos e as aeronaves que venham com [passageiros com] problemas médicos ou que solicitem alguma emergência», disse Sérgio Carvalho.

Segundo o comunicado do RSB, a ação visa protestar também contra a «falta de aquisição e manutenção adequada» dos equipamentos de proteção individual e de viaturas, a «falta de condições de segurança, salubridade e habitabilidade dos quartéis e a «falta de título de transporte».

Em causa está ainda «a falta de regulamento interno», a «demora na revisão da regulamentação da carreira», assim como a falta de progressão dentro do dispositivo.

A situação do RSB no aeroporto de Lisboa, cujo contrato entre a Câmara de Lisboa e a ANA – Aeroportos de Portugal cessa no final do ano, é outra das razões, já que, de acordo com o comunicado do RSB, existe uma «falta de explicação condigna sobre a saída» destes elementos do local.

O destacamento, que presta serviço no aeroporto da capital há mais de duas décadas, vai ser substituído a partir de janeiro de 2015 por uma empresa privada que venceu um concurso público, válido para os próximos oito anos.
Na terça-feira de manhã, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, esteve reunido com elementos do RSB e com a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e o SNBP.

Uma das questões discutidas no encontro foi a falta de pessoal, sobre a qual «o senhor vice-presidente disse que iria intervir junto do Governo para desbloquear a situação da entrada de pessoal», assinalou o presidente da ANBP, Fernando Curto.

Nesse mesmo dia, foi publicado em Diário da República a abertura de um concurso para a entrada de 50 novos sapadores bombeiros para o regimento, número que Sérgio Carvalho considera «insuficiente», sendo que «existem 40 turnos, e dá [quase] um por cada turno».

Outro dos assuntos ali abordados foi a venda (na segunda-feira) em hasta pública de um terreno situado em Carnide onde está o quartel da 3.ª companhia do RSB à Espírito Santo Saúde, por mais de 15,5 milhões de euros.
Para Sérgio Carvalho, este é um «quartel chave e central» e «até hoje» a Câmara não lhes indicou onde vai ser o novo espaço desta companhia, adiantou.