O presidente da Câmara de Santarém disse à Lusa que gostaria de ver esclarecida a disparidade entre a informação prestada pela Unicer quando lhe comunicou a decisão de encerrar a fábrica de refrigerantes e a que foi esta quarta-feira transmitida pelos sindicatos.

Ricardo Gonçalves disse à Lusa que os representantes dos trabalhadores da Unicer, que hoje se reuniram com o autarca antes de um plenário na fábrica de refrigerantes de Santarém cujo encerramento foi anunciado a semana passada, lhe deram números sobre o impacto da retração do mercado angolano que não coincidem com o invocado pela administração para justificar o encerramento da unidade.

Na reunião realizada na quinta-feira, a administração da Unicer justificou o encerramento da fábrica de refrigerantes em Santarém com uma quebra de 30% nas vendas para o mercado angolano, disse.

Contudo, na reunião realizada hoje, os representantes dos trabalhadores disseram ao autarca que a cerveja representa a maior fatia de exportação para aquele mercado, representando a venda de refrigerantes apenas 5%.

Por outro lado, afirmaram que, quando se deu o aumento da produção para satisfazer o mercado angolano, não houve contratações, tendo os trabalhadores feito um esforço adicional, pelo que a situação deveria agora estabilizar e não dar origem a despedimentos.

Por outro lado, frisam que a empresa se mantém na fileira e está a contratar o serviço a uma concorrente.

A Unicer anunciou que 25 trabalhadores da unidade de Santarém serão integrados através de um acordo com um parceiro de negócio (segundo fontes contactadas pela Lusa, a unidade da Font Salem em Santarém), que passará a assegurar a produção e enchimento das suas marcas de refrigerantes, estando a identificar oportunidades de mobilidade interna na estrutura global da empresa para uma dezena de funcionários.

Segundo os sindicatos, é preciso saber que forma revestirão estes contratos, uma vez que vários dos trabalhadores dispensados no processo de encerramento da cervejeira em Santarém, em 2013, que fizeram novos contratos se depararam ao fim de um ano com a extinção do posto de trabalho.

Para Ricardo Gonçalves, os argumentos apresentados pelos sindicatos “têm lógica”, pelo que gostaria de ter esclarecimentos adicionais por parte da Unicer.

O autarca enviou já ao Ministério da Economia um pedido de esclarecimento em relação ao que vai acontecer com os fundos comunitários recebidos pela Unicer em 2012 ao abrigo do Quadro Comunitário de Apoio, da ordem dos 7,26 milhões de euros.

A permanência da fábrica de refrigerante terá sido um dos argumentos invocados para a não devolução de fundos aquando do encerramento da cervejeira em Santarém em 2013, disse.

Em 2013, a Unicer encerrou a sua fábrica de cerveja em Santarém, deslocalizando a produção para Leça do Balio, onde centrou o seu investimento como parte do projeto de consolidação industrial para melhorar a eficiência e competitividade da empresa.

Numa mensagem escrita entregue na terça-feira aos jornalistas depois do plenário de trabalhadores em Leça do Balio, a Unicer disse não ter “informação adicional a acrescentar à que foi tornada pública no passado dia 08 de outubro”, quando anunciou que iria proceder ao ajustamento da sua estrutura, devido à retração de alguns mercados, sobretudo o angolano.

Nesse documento, a empresa disse-se “empenhada em encontrar uma solução que minimize o impacto das medidas anunciadas junto de, aproximadamente, 140 colaboradores (70 em Santarém e 70 afetos à estrutura central e de apoio ao negócio)”.

“A empresa estima assegurar empregabilidade para 50% dos colaboradores afetos a Santarém, através de 25 vagas no parceiro de negócio que passará a assegurar a produção (…) e cerca de 10 oportunidades de mobilidade interna na estrutura global da empresa”, acrescentou.


A Unicer fechou 2014 com um aumento de vendas dos 462,8 em 2013 para os 476,8 milhões de euros e um crescimento dos lucros de 26,7 para 33 milhões de euros, num resultado por ação de 0,66 euros, acima dos 0,53 de 2013.