O presidente do Santander Totta escusou-se esta terça-feira a avançar pormenores do processo de compra do Novo Banco, no qual o espanhol Santander está envolvido, dizendo apenas que é altura de estudar os ativos da entidade.

Primeiro «vamos ter que fazer a due diligence [análise exaustiva], temos de ver o que é que lá há dentro e só depois é que nos poderemos pronunciar», afirmou à agência Lusa António Vieira Monteiro, à margem de uma conferência em Lisboa promovida pelo banco e dedicada ao tema da exportação.

«As empresas demonstraram desde o início que alguma preparação têm. Porque ter crescimentos nas exportações, como nós vimos, com estes números, não é só por obra e graça do Espírito Santo. É porque, efetivamente, as empresas estão preparadas para tal e têm vindo a preparar-se cada vez mais. E acho que, para o futuro, se vão continuar a preparar mais», sublinhou.

Vieira Monteiro aproveitou para destacar o trabalho que o Santander Totta tem desenvolvido no financiamento às empresas portuguesas.

«Onde nós estamos a crescer muito é no crédito em geral às empresas, no qual se situa este crédito à exportação. O crédito às empresas caiu no ano passado [a nível geral do mercado português] e o crédito no Santander Totta cresceu 0,7% no ano passado. E as nossas produções estão cada vez a aumentar mais», vincou.

Questionado sobre se o crescimento do Santander Totta num segmento em que o ex-Banco Espírito Santo (BES) dava cartas no mercado português pode ser justificada pela derrocada do banco que era liderado por Ricardo Salgado, o gestor contrariou essa ideia.

«Os clientes vêm para o Santander Totta pela imagem que o banco tem no mercado. Porque não é o que acontece numa instituição de crédito que faz crescer a outra, porque existem mais instituições de crédito no mercado e os clientes podem escolher este, aquele ou aqueloutro», considerou.

E reforçou: «No caso de nos terem escolhido a nós, é porque a nossa imagem e a situação que sentem junto a nós é positiva e têm confiança. Isso está muito ligado quer aos capitais próprios que nós temos - temos um core tier 1 na ordem dos 15% - e está muito ligado à confiança que os portugueses têm no banco e à rentabilidade que a instituição continua a apresentar durante todo o período da crise, em que nunca teve um ano em que apresentasse prejuízos».

Sobre a questão judicial relacionada com os swaps contratados por várias empresas públicas com o Santander Totta e que foram contestados junto do tribunal competente, em Londres, o líder do Santander Totta avançou com os prazos estimados para o desenvolvimento do processo.

«O julgamento dar-se-á no fim do terceiro trimestre, início do quarto trimestre, e depois o juiz tem alguns meses para dar a sentença, e essa sentença, em princípio, será dada durante o primeiro trimestre do ano 2016», adiantou, referindo que continua a haver a possibilidade de ser encontrada uma solução extrajudicial.

«Nós sempre dissemos que estávamos disponíveis para falar com o Estado», sublinhou, garantindo que está confiante «desde o início» num desfecho positivo para a instituição que preside.