A propósito da eventual aplicação de sanções a Portugal por causa do défice, Fernando Teixeira dos Santos apela à Comissão Europeia para deixar de ser um "elemento destabilizador constante". Para o ex-ministro das Finanças, está a perder-se "demasiado tempo" com o assunto.

"Temos de colocar um fim ao ambiente de incerteza que nos tem afetado. Estamos a despender imensas energias para discutir se sim ou não, se o Governo funciona ou não funciona. Estamos a discutir imenso se a União Europeia vai ou não vai aplicar sanções a Portugal. Estamos a discutir, e a perder imenso tempo, se os programas de Estabilidade e Nacional de Reformas são ou não aceites a nível europeu. E enquanto andamos nisto, desfocamo-nos do que é importante"

Teixeira dos Santos interveio na conferência organizada pela UGT sobre cenários macroeconómicos e o futuro da economia portuguesa, em Lisboa, na qual também participou o atual ministro das Finanças, Mário Centeno.

O antigo ministro defende, assim, que "é importante que, de uma vez por todas, fique clarificado esse quadro de governação de Bruxelas", cita a Lusa.

"Não podemos ter aí um elemento que desestabilize constantemente os Estados e as suas expectativas. É importante que se ultrapasse o mais rapidamente essas incertezas".

De onde vem a responsabilidade de uma eventual aplicação de sanções a Portugal? Teixeira dos Santos, apontado como futuro presidente do banco BIC, admitiu que o facto de o governo anterior ter falhado a meta de redução do défice do ano passado "não abona para a credibilidade de Portugal". Mais: entende que existe "algum preconceito ideológico em Bruxelas relativamente à cor política deste Governo".

Para Teixeira dos Santos, os números da execução orçamental de abril podem ajudar a "dissipar as dúvidas quanto à capacidade de o Governo levar a cabo e atingir as suas metas". Os próximos meses "vão ser decisivos para que a sociedade e a economia portuguesa ganhe ou não confiança", numa altura em que será necessário também "acalmar um pouco o ruído de Bruxelas", assinalou.

Já Mário Centeno, na mesma conferência, alertou para os riscos das previsões de crescimento, socorrendo-se da incerteza vinda de fora.