A ameaça já pairava, mas agora encontra novo eco, com as declarações do presidente do Eurogrupo. Jeroen Dijsselbloem diz que há "sérias razões" para sancionar tanto Portugal como Espanha por causa dos incumprimento das meta do défice em 2015.

"Sanções são claramente uma possibilidade porque fazem parte das regras e procedimentos", começou por dizer ao jornalistas, à entrada da reunião dedicada, hoje, ao desembolso de nova tranche para a Grécia (pelo menos espera-se que seja desta). E foi ainda mais longe na ênfase sobre a possibilidade de haver penalizações para aquele dois países por causa do défice.

"Quando olhamos para a situação atual de Portugal e Espanha há sérias razões para pensar em sanções"

Ainda assim, indicou, o Eurogrupo "vai ouvir primeiro a Comissão" e só depois decidir. Essa decisão chegará, formalmente, no próximo mês, no Ecofin. Será em junho que serão deliberadas "as recomendações específicas" por país, como fez notar Dijsselbloem. 

A 18 de maio, Bruxelas adiou a avaliação que poderia resultar na aplicação de sanções para julho, avisando que, até lá, o Governo teria que pôr mãos à obra para convencer a Comissão da "injustiça" da aplicação de sanções, como foi considerada por Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças em entrevista à Rádio Renascença.

O líder do PSD e ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, defende que o Governo pode "persuadir" a Comissão Europeia de que vai "cumprir metas".

O atual primeiro-ministro, António Costa, que entrou em funções no final de novembro de 2015, admite bater-se contra Bruxelas caso Portugal venha mesmo a ser sancionado.