Sem fazer uma única referência à palavra "sanções", o ministro das Finanças disse esta quarta-feira, no Parlamento, que o que o Governo pode fazer para convencer Bruxelas a não penalizar Portugal por causa do défice de 2015 é mostrar o seu "cartão de visita", a execução orçamental deste ano, a correr em linha com o esperado.

"A execução da despesa, exceto os juros, [uma questão que é[ muito fácil de explicar, está a correr abaixo daquilo que está no Orçamento. Temos uma despesa com pessoal absolutamente controlada, bens e serviços totalmente controlados", começou por exemplificar, na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, dando isso como argumento que chegue.
 
"Temos contas que mostram esforço muito substancial que está a ser pedido de novo a economia portuguesa porque o cartão de visita que temos para mostrar à comissão europeia e externamente é a execução orçamental deste ano".
 
Para além do mais, Mário Centeno fez questão de frisar que a avaliação que está a ser feita pela Comissão Europeia sobre a punição ou não de Portugal e Espanha é respeitante ao período  2013-2015, não tendo nada a ver com este ano.
 
"Na verdade, não cumprimos as metas orçamentais recorrentemente nos últimos quatro anos.
É esse o processo que está a ser avaliado ao abrigo do Procedimento por Défices Excessivos. A situação avaliada é o passado de 2013 a 2015. As contas que temos apresentado e que são públicas são contas que mostram um alinhamento total dessas contas com os objetivos do Governo"

O Colégio de Comissários reuniu-se ontem e discutiu o tema, mas como previsto não tomou qualquer decisão. Possivelmente, só será conhecida na quinta-feira. Hoje, o vice-presidente da Comissão Europeia, que se mostrou há três dias favorável às sanções, elogiou Portugal.

Mário Centeno respondia ao deputado do PSD António Leitão Amaro, que fez questão de distribuir um documento alegadamente dando conta das melhorias do setor financeiro durante a governação anterior. E isto depois de o ministro ter também revelado que encontrou um "desvio enormíssimo" de 3.000 milhões no plano de negócios do Executivo PSD/CDS para a Caixa Geral de Depósitos.

A seguir tomou a palavra o PS, para aludir ao artigo de opinião do líder social-democrata e ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que acusou o Governo atual de ter virado não a página da austeridade, mas a da credibilidade.

"A credibilidade não está do lado de quem apresentou ou deixou problemas. Está do lado de quem apresenta soluções. O discurso do PSD é o discurso do apagão das suas responsabilidades da governação anterior", atirou o deputado João Paulo Correia.