
[Atualizada com mais declarações às 10h32]
O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, afirmou na última noite que a Grécia vai registar «um regresso espetacular» no cenário europeu, numa entrevista concedida ao jornal alemão «Bild», que será publicada esta quinta-feira.
«Evidentemente, vamos reembolsar as nossas dívidas - garanto. Vamos testemunhar um regresso espetacular» da Grécia, afirmou o governante ao diário alemão.
O chefe do governo grego arriscou mesmo uma comparação com a vitória da Grécia no Europeu de Futebol em 2004 frente à seleção portuguesa: «Foi um milagre», disse, citado pela AFP.
Samaras citou o treinador alemão da seleção grega da altura, afirmando que «Otto Rehhagel dizia que o sucesso era o resultado de uma mistura de valores tipicamente alemães com o entusiasmo e a inovação gregas», o que - considerou - é «uma boa receita».
Sair do euro? «Seria uma catástrofe»
Numa outra entrevista ao jornal alemão «Süddeutsche Zeitung», também a publicar na quinta-feira, Antonis Samaras garante que Atenas vai reembolsar todas as ajudas recebidas e vai adotar as reformas prometidas aos credores internacionais.
Ao mesmo jornal, o primeiro-ministro grego disse ainda que uma saída da Grécia da zona euro seria «uma catástrofe para a Grécia e uma coisa muito má para a Europa», uma vez que faria disparar o desemprego no país para os 40 por cento, o que aumentaria as preocupações em toda a área da moeda única.
Para Samaras, muitas das críticas que se fazem ao povo grego têm fundamento: «É verdade que muitos gregos não pagam impostos, temos de fazer com que esse hábito acabe», admitiu o governante, ao «Süddeutsche Zeitung».
Políticos europeus «criaram sentimento de insegurança»
O chefe do governo grego foi mais além: criticou os políticos alemães, austríacos e holandeses por criarem um sentimento de insegurança nos investidores, ao pedirem a saída da Grécia do euro.
«Garanto que cumpriremos. A Grécia está decidida a mudar e mudará. No entanto, é preciso não assustar os investidores. De cada vez que um político alemão, austríaco ou holandês pede a nossa saída do euro pergunto-me como posso, perante isso, privatizar as empresas públicas?», interrogou-se.
«Que empresário vai investir em euros temendo que depois receba em dracmas?», acrescentou na entrevista ao «Süddeutsche Zeitung».
Samaras garantiu ainda que os gregos vão honrar os seus compromissos, pagando as suas dívidas, mas disse ter esperança de que os parceiros europeus aceitem alargar até 2016 o prazo para cumprir o acordo com a «troika» (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), que por enquanto termina em 2014.
O primeiro-ministro grego referiu que o pedido de alargamento do prazo se justifica pela situação de recessão profunda em que a economia grega se encontra, sublinhando que o PIB (Produto Interno Bruto) grego já caiu 27 por cento desde o início da crise.
Reafirmou também que a única coisa que a Grécia pede é mais tempo, e não mais dinheiro, para retomar o crescimento económico e poder ver «alguma luz ao fundo do túnel».
Hoje, o ministro das Finanças alemão disse que alagar o prazo a Atenas para pôr as contas nos eixos «não é solução».
Voltando a Samaras, não quis confirmar que este pedido de alargamento do prazo seja um tema em cima da mesa no encontro com Angela Merkel, agendado para sexta-feira.
«É a minha primeira viagem oficial como chefe de Governo. Deve ser o início de um caminho de otimismo. Precisamos dele», disse, antes de lamentar que a relação de amizade entre gregos e alemães se tenha desvanecido. «Foram ditas muitas coisas negativas de ambos os lados» no contexto da crise do euro.
«Temos que deixar isso para trás. Não se trata apenas de dinheiro e de números».