As diligências em torno da família Espírito Santo bem como o arresto de bens, já confirmado pela Procuradoria-Geral da República, chegam "tarde demais". O advogado Paulo Valério, em declarações à TVI24, explica que uma "medida cautelar" como esta, que a "lei considera urgente", deve ser tomada de imediato.

A verdade é que as diligência são realizadas "um ano depois do processo ter eclodido", o que, para o advogado, tem efeitos negativos: "não acautela o efeito final das decisões" que podem vir a ser produzidas - nomeadamente garantindo que há bens que possam colmatar as perdas ou indemnizações.

Para Valério, uma decisão tardia como esta pode "dar armas aos visados, uma vez que podem alegar que, se por natureza, as medidas cautelares não foram tomadas na altura devida, era porque não eram urgentes, nem necessárias", o que pode servir para impugnar posteriormente qualquer arresto que saia destas diligências.

As buscas realizadas incluíram casas, bens patrimoniais e escritórios ligados à família de Ricardo Salgado, o ex-líder do Banco Espírito Santo, como as casas que possui em Lisboa e arredores, e ainda a Comporta. Também o seu primo José Manuel Espírito Santo foi outro dos visados.  

As buscas incidiram, ainda, sobre outros altos quadros do antigo BES, como Morais Pires.