O sindicato representativo dos trabalhadores da Impormol, situada em Azambuja, disse hoje que a administração da empresa só assegura os salários de abril e o subsídio de férias e que o futuro da unidade ainda é "incerto".

Este ponto de situação foi dado a conhecer esta tarde pela administração da Frauenthal Automative (conhecida localmente como Impormol) durante uma reunião em que, além da comissão de trabalhadores, participaram os presidentes das Câmaras de Azambuja e do Cartaxo, municípios a que pertencem os 180 funcionários desta unidade fabril.

A Impormol, uma empresa de fabrico de molas para automóveis, suspendeu a sua produção no final da semana passada e comunicou aos trabalhadores que estavam dispensados de comparecer ao serviço.

No final da reunião, em declarações à agência Lusa, Fernando Pina, do Sindicato das Indústrias Transformadoras de Energia e Ambiente, afirmou que o encontro em Azambuja foi "inconclusivo" e lamentou que a empresa continue "sem dar respostas concretas sobre o seu futuro.

"Disseram-nos que o salário do mês de abril é uma garantia, assim como o subsídio de férias, mas que daí para a frente é uma incógnita", contou.

No entanto, apesar do impasse, o sindicalista ressalvou que, "para já", os trabalhadores não irão avançar com qualquer ação concreta, mantendo apenas as concentrações diárias junto à empresa.

Contactado pela Lusa, o diretor executivo da Impormol, Walter Manns, confirmou que a empresa só garante para já os salários deste mês e assegurou que ainda não existe uma decisão sobre o possível encerramento.

Por seu turno, os presidentes das Câmaras de Azambuja e do Cartaxo, que também participaram nesta reunião, manifestaram-se "bastante preocupados" com o eventual encerramento da fábrica e asseguraram que tudo irão fazer para apoiar os trabalhadores.

"Para já tudo é uma incógnita. Já solicitámos ontem [terça-feira] reuniões urgentes com a Segurança Social e com o Ministério da Economia para tentarmos ver o que se pode fazer. Ainda existem muitas dúvidas", lamentou à Lusa o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa.

No mesmo sentido, o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, afirmou que "face à incerteza" é necessário "acautelar o futuro dos trabalhadores.

"Dos 180 trabalhadores desta empresa 111 são do concelho do Cartaxo. Neste momento estamos a estudar que respostas sociais é que poderão ser dadas às famílias e até eventuais programas de requalificação profissional", adiantou o autarca.

A Impormol, que labora há cerca de 40 anos, foi adquirida recentemente pela Heavy Metal Invest, com sede no Liechenstein, que comprou 51% das ações em janeiro deste ano e as restantes 49% em março.

Em declarações anteriores à Lusa, o diretor financeiro, Paulo Antunes, afirmou que a falta de encomendas tornou a situação financeira da empresa "inviável" e que provavelmente deverá "avançar para um processo de insolvência".