Que os portugueses ganham menos não é novidade: ou porque pagam mais impostos ou porque sofrem cortes nos salários. Mas a confirmação vem do Banco de Portugal: a quebra real de rendimento entre 2010 e 2013 chega aos 10%. E é no setor público que a tendência é mais acentuada.



Segundo o Banco de Portugal, num relatório divulgado na passada semana, o rendimento dos funcionários públicos recuou em 2012 para níveis de 1995, atestando os cortes nos subsídios de férias e de natal, que se somaram à redução salarial. Em 2013, e depois da reposição dos subsídios, o valor subiu ligeiramente, mas continua em valores da década de 90: em três anos, recuou até 1997.



Na reformulação dos cortes, que o Governo apresentou na passada semana, há a promessa de devolução de 20 por cento ao ano, para que no final de 2019, os trabalhadores do Estado tenham de novo o salário completo. Ainda assim, e somando os próximos cinco anos, os funcionários públicos continuam a acumular prejuízos; a quebra de rendimento rondará os 14%, desta vez por culpa da inflação.