O salário dos deputados britânicos vai aumentar 11 por cento, até aos 88 mil euros anuais, após as eleições de gerais de 2015, confirmou hoje a Autoridade Independente dos Padrões Parlamentares (Ipsa, na sigla em inglês).

Apesar da oposição de muitos políticos, entre os quais do primeiro-ministro David Cameron, que consideram o aumento «inoportuno» em tempos de crise, a Ipsa reafirmou a proposta inicial sobre os vencimentos, com o argumento de que é preciso «atrair novos talentos».

O organismo independente que foi criado em 2009 para evitar que sejam os próprios deputados a aprovarem os pagamentos, já alertou que a rejeição da proposta significa desacreditar o Ipsa.

O aumento salarial dos deputados, numa altura em que os ordenados se encontram congelados para a maioria dos britânicos não representa um gasto adicional para o erário público, assegurou o Ipsa.

«Pela primeira vez, o ordenado e as pensões dos deputados vão estabelecer-se de forma independente e fora dos acordos políticos no Parlamento de Westminster», disse hoje o presidente do Ipsa, Ian Kennedy.

O aumento salarial, uma medida muito impopular junto da opinião pública, foi condenado pelos líderes dos principais partidos apesar do apoio de alguns deputados de «segunda linha».

O primeiro-ministro David Cameron, o vice primeiro-ministro Nick Clegg e o líder dos trabalhistas, Ed Miliband, já pediram à Ipsa para reconsiderar a posição.

Kennedy sublinhou que o organismo não deve ceder «a pressões politicas» e que é preciso modernizar o sistema de pagamentos e de incentivos.