As mulheres ganham menos, a sua condição laboral é mais vulnerável e têm menor acesso a cargos de chefia, assinala o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), hoje divulgado, escreve a Lusa.

No que respeita a trabalho remunerado, as mulheres “ganham menos, o seu trabalho tende a ser mais vulnerável e estão sub-representadas nos cargos de gestão e de tomada de decisão”, assinala Helen Clark, responsável do PNUD, no prefácio ao relatório.

Num documento em que a condição laboral da Humanidade assume um lugar de destaque, Helen Clark acrescenta que, no trabalho não remunerado, se verifica “uma desproporção na partilha das tarefas domésticas”, que estão maioritariamente a cargo das mulheres.

De acordo com o documento, 59% do trabalho realizado globalmente é remunerado, sendo aí a participação masculina quase o dobro da feminina: 38% versus 21%.

A situação inverte-se no caso do trabalho não remunerado, que constitui 41% do trabalho total e no qual 31% é assegurado pelas mulheres, cabendo apenas 10% aos homens.

Globalmente, as mulheres ganham menos 24% do que os homens e ocupam apenas 25% dos cargos de administração e de gestão, sendo que 32% das empresas não têm quaisquer administradoras.

O problema agrava-se na América Latina, onde “as gestoras de topo ganham, em média, pouco mais de metade (53%) dos salários dos homens com o mesmo cargo”, lê-se no relatório.

A política é outra arena de desigualdade, com os elementos do sexo feminino a deterem somente 22% dos assentos nos parlamentos nacionais.

Na maioria das regiões as mulheres são também mais propensas a ter o que o PNUD designa por “emprego vulnerável”: trabalho desenvolvido para si próprio ou para outrem em contextos informais, onde os ganhos são frágeis e a segurança social é mínima ou inexistente.

Apesar das múltiplas desvantagens com que têm de lidar no mundo do trabalho, na maior parte dos países as mulheres trabalham mais do que os homens, estimando-se que contribuam com 52% do trabalho global.