A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade portuguesa, Teresa Morais, considera que a crise não agravou as diferenças salariais entre homens e mulheres, que subiram 0,8 pontos, para os 13%, entre 2008 e 2013.

«Há um conjunto de países em que os gaps se agravaram por causa das crises, mas não foi o caso de Portugal», disse Teresa Morais à agência Lusa em Nova Iorque, à margem do debate geral da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU, que acontece esta semana.

Segundo dados do Eurostat divulgados na semana passada, a disparidade salarial entre homens e mulheres diminuiu 0,9 pontos percentuais na União Europeia (UE) para os 16,4% entre 2008 e 2013, e Portugal registou o maior aumento, de 3,8 pontos, para os 13%.

«Quando se toma em consideração esse período de tempo, que vai de 2008 a 2013, de facto há uma subida. A subida ainda seria maior se fossem a 2006. Mas, pela primeira vez, [estes valores] desceram de 2012 para 2013, de 14,8 para 13%», explicou a secretária de Estado.

A responsável diz não ter «nenhuma dúvida de que as crises como as dos últimos anos tem impactos muito fortes sobre homens e mulheres», mas que «as diferenças não se agravaram» e que «os salários não são o único indicador que conta no mercado de trabalho.»

«As diferenças entre taxas de desemprego de mulheres e homens, por exemplo, já foram muito maiores do que são agora. O impacto do desemprego, numa determinada fase, até se deu mais nos homens que nas mulheres, porque as industrias e setores mais afetados eram altamente masculinizados», explicou Teresa Morais.

A responsável lembrou ainda a última lista do Fórum Económico Mundial, em que Portugal sobe 12 posições em Igualdade de Género, e o fato de as mulheres portuguesas terem elevadas taxas de participação no mercado de trabalho, sobretudo a tempo integral.

«Noutros países da UE há taxas maiores de participação das mulheres, mas a maioria das que trabalha fá-lo a tempo parcial, em taxas que ultrapassam os 60 por cento. Em Portugal é de apenas 14%. Temos muitas mulheres a trabalhar e a trabalhar a tempo inteiro», garantiu a responsável.

«Mesmo assim, temos de continuar a trabalhar, porque não é obviamente aceitável que haja uma diferença salarial entre homens e mulheres que desempenham as mesmas funções», concluiu a secretaria de Estado.